Quem é Mariana? Janones revela quem é a mulher citada em debate

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Créditos/Reprodução Internet

O deputado federal André Janones (Rede-MG) declarou nesta sexta-feira (23) que as publicações que fez citando o nome “Mariana” na reta final da eleição presidencial referiam-se de forma simbólica a Mariana Vishegirskaya, sobrevivente ucraniana do bombardeio a uma maternidade em Mariupol, e não a uma suposta amante de Flávio Bolsonaro (PL) ou à ex-assessora Mariana Mota. O parlamentar explicou que utilizou a referência para direcionar a atenção pública à situação de vulnerabilidade de refugiadas da Ucrânia que, segundo investigações, foram recrutadas para uma rede de prostituição associada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

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A jovem Mariana Vishegirskaya estava no nono mês de gestação quando a maternidade de Mariupol foi atingida em 9 de março de 2022. Suas fotografias com o rosto ferido e vestindo um pijama de bolinhas em meio aos escombros tornaram-se um dos registros mais marcantes da invasão russa, um dia antes de ela dar à luz sua filha Veronika. O conflito desencadeou uma severa crise de deslocamento forçado que contabilizou cerca de 5,7 milhões de refugiados ucranianos na Europa ao fim de 2022, sendo 87% das pessoas registradas compostas por mulheres e crianças, segundo dados do Acnur.

Foi exatamente essa condição de fragilidade social que o parlamentar associou às denúncias envolvendo o ex-controlador do Banco Master. Reportagem do UOL baseada em mensagens obtidas por investigadores revelou que Vorcaro teria financiado uma estrutura de prostituição com alcance internacional, investindo ao menos R$ 4,3 milhões no esquema que recrutava mulheres estrangeiras, incluindo refugiadas ucranianas, para festas e encontros privados. Em sua defesa, o ex-banqueiro nega ter explorado mulheres e contesta as interpretações feitas a partir dos diálogos.

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Entre os casos documentados nas conversas está o de uma jovem ucraniana de 19 anos que chegou ao grupo em 2023, após fugir da guerra em uma viagem de 14 horas de ônibus. Em um dos trechos, registrado em dezembro de 2023, um intermediário afirmou que “ela não tem pra onde ir” e que “estão bombardeando a cidade dela”, mencionando que a mãe da jovem enviava áudios dos ataques. Diante das apurações, a Polícia Federal solicitou autorização ao STF para investigar suspeitas de tráfico internacional de mulheres para exploração sexual e favorecimento da prostituição.

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Janones ressaltou que a escolha do nome de Mariana Vishegirskaya teve caráter exclusivamente simbólico para ilustrar a tragédia vivenciada pelas refugiadas. A sobrevivente do ataque em Mariupol não é a jovem de 19 anos citada nas mensagens, tampouco participou dos eventos organizados por Vorcaro ou manteve qualquer relação com pessoas ligadas ao senador Flávio Bolsonaro. O objetivo da menção foi deslocar o foco das especulações individuais para o debate sobre a vulnerabilidade das mulheres afetadas pelo conflito.

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