Zezé ataca voto do Nordeste, onde faturou R$ 22,5 milhões em dinheiro público

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O cantor Zezé di Camargo lançou, nesta quinta‑feira (22), um vídeo dirigido ao eleitorado nordestino em que critica o Bolsa Família e equipara políticas assistenciais a “esmola”. Na mesma gravação, o artista reafirmou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) e utilizou sua trajetória, do interior de Goiás ao sucesso musical, como exemplo de superação.

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Segundo levantamento divulgado nesta sexta‑feira (23) pelo observatório De Olho nos Ruralistas, as apresentações de Zezé – solo ou ao lado de Luciano – geraram, entre 2024 e junho de 2026, contratos com prefeituras e governos estaduais do Nordeste que totalizam R$ 22,5 milhões. Os dados integram o projeto Farras, que monitora contratações de shows com recursos públicos e aponta, para todo o país, R$ 92,4 milhões em 180 apresentações vinculadas ao cantor, incluindo a dupla.

Dos 36 municípios nordestinos que contrataram o sertanejo no período analisado, 16 apresentavam baixo Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) em 2010. Nesses locais, os cachês somaram R$ 8,7 milhões – R$ 6 milhões em shows solo, pagos pela Classical Holding, e o restante em apresentações conjuntas, pagos pela Live Talentos.

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Em Vertentes, Pernambuco, o cachê alcançou R$ 1,25 milhão para um show nas festividades de São José, em março de 2026. O observatório apontou que a prefeitura anexou ao processo de inexigibilidade de licitação uma nota fiscal de um show privado do cantor em um cruzeiro, a fim de justificar o valor. O município registrava IDHM de 0,582 em 2010.

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Já em São João da Canabrava, Piauí, a contratação para o aniversário da cidade foi de R$ 650 mil. O Censo de 2022 indica que o município tem 4.242 habitantes, dos quais 87% utilizam fossas rudimentares ou buracos como destino do esgoto.

Dois dias antes de publicar o vídeo, Zezé participou de um encontro de sertanejos com Flávio Bolsonaro em Goiás. O mesmo projeto Farras identificou, para o evento, R$ 619,4 milhões em contratos públicos envolvendo 12 atrações ligadas aos participantes, somando contratos de duplas mesmo quando apenas um integrante esteve presente, sem representar receitas individuais dos cerca de 30 artistas.

A manifestação do cantor ocorre após a campanha de Flávio Bolsonaro tentar conter a repercussão de uma proposta de transição do Bolsa Família, apresentada pela coordenadora econômica Daniella Marques. O senador negou pretender limitar o benefício a dois anos, afirmando que o prazo seria aplicado a quem conseguisse emprego ou abrisse um negócio, com retorno ao programa caso a iniciativa não fosse bem‑sucedida.

“A gente não tem que viver de esmola”, declarou Zezé, acrescentando: “A gente tem que viver de oportunidades.”

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