As empresas de tecnologia Google e X informaram ao Tribunal Superior Eleitoral que não detectaram irregularidades nem violações de regras na mobilização de integrantes do grupo de WhatsApp conhecido como Exército do Lula. As respostas foram entregues à Corte eleitoral nesta sexta-feira em cumprimento a uma determinação do presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, que havia estipulado um prazo de 24 horas para a apresentação dos relatórios técnicos a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro.
A representação formulada pela candidatura do parlamentar do PL acusava o canal de orientar publicações de conteúdos com hashtags em horários combinados e de incentivar buscas no Google para ampliar de forma artificial a circulação de materiais favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a denúncia, as ações organizadas teriam o objetivo de manipular o engajamento e a visibilidade de pautas políticas nas plataformas digitais.
Em sua manifestação técnica, a rede social X informou ter examinado 58 hashtags citadas no processo, contabilizando aproximadamente 8,2 milhões de publicações originadas de 475,9 mil contas distintas. A plataforma confirmou a existência de uma atuação coordenada, mas esclareceu que a mobilização envolveu predominantemente perfis autênticos de usuários brasileiros, sem qualquer descumprimento de suas diretrizes de autenticidade.
Por sua vez, o Google declarou que sua equipe especializada em segurança não encontrou sinais de tráfego automatizado, ataques por programas de computador ou atuação de redes de robôs associadas aos termos de pesquisa mencionados na ação legal. A companhia destacou não ter constatado infrações às suas políticas internas que justificassem sanções e explicou que picos repentinos no volume de buscas são comuns diante de notícias de grande repercussão, não servindo como indício de manipulação nem permitindo determinar a origem do interesse dos usuários.
Também nesta sexta-feira, o ministro Floriano de Azevedo Marques concedeu uma decisão liminar para suspender os efeitos de atos administrativos que pudessem retirar o canal do ar, diminuir seu alcance ou limitar suas funcionalidades. A medida cautelar permanecerá em vigor até o julgamento do mandado de segurança ou até que ocorra uma deliberação definitiva no processo judicial eleitoral competente.
Administrado pelo deputado federal André Janones, da Rede-MG, o canal Exército do Lula alcançou a marca de 10 milhões de seguidores nesta mesma sexta-feira, em momento anterior à realização do debate presidencial transmitido pela TV Globo. O espaço virtual atua na distribuição de mensagens, conteúdos em vídeo e orientações estratégicas direcionadas à mobilização de apoiadores do chefe do Executivo nas redes sociais.

