As Forças Armadas da Alemanha (Bundeswehr) consideram‑se diretamente ameaçadas por possíveis atos de sabotagem russos, segundo um documento interno divulgado nesta quarta‑feira (21/10) pelo jornal Süddeutsche Zeitung e pela emissora WDR. Pela primeira vez, o risco foi classificado como “significativo”, a segunda categoria mais alta adotada pela instituição.
O relatório interno menciona a descoberta de vários drones nas últimas semanas, entre eles uma tentativa de ataque – aparentemente frustrada – em agosto no aeroporto de Leipzig/Halle e um aparelho não identificado nas proximidades da base aérea de Wunstorf. Em Leipzig, suspeitou‑se de uma ação russa contra aviões de transporte ucranianos estacionados no local. “Os incidentes ressaltam que a Rússia, há bastante tempo, possui – com quase total certeza – a capacidade e, muito provavelmente agora, uma intenção intensificada de agir contra forças e instalações da Bundeswehr, assim como contra parceiros – como a Ucrânia – presentes na Alemanha”, destacou a análise citada pelo Süddeutsche Zeitung.
O documento aponta ainda que o objetivo russo seria “muito provavelmente promover a desestabilização, focando atualmente no enfraquecimento do apoio alemão à Ucrânia, tanto no plano político quanto no social”. Até então, a avaliação de segurança da Bundeswehr restringia o risco elevado de sabotagem a locais específicos, como áreas de treinamento de soldados ucranianos, bases navais e estaleiros. Agora, a ameaça não se limita a esses pontos; especialistas alertam para a possibilidade de novos incidentes em qualquer instalação militar.
Com base em avaliações dos serviços de inteligência, a Bundeswehr prevê um “agravamento da situação a curto prazo” e considera provável a ocorrência de novas ações nos próximos dias. O uso de drones como meio de ação cinética teria levado a Rússia a “ultrapassar uma ‘linha vermelha’ – anteriormente prevista – referente à intenção de causar danos por meio de efeitos cinéticos e/ou letais” contra a Alemanha e suas forças. No caso de Wunstorf, “é muito provável que a Bundeswehr tenha sido o alvo direto da ação”.
Martin Jäger, chefe do BND – serviço federal de inteligência interna da Alemanha – já havia alertado, no início de outubro, sobre o risco de um “conflito violento com a Rússia”. O documento interno, cuja origem é atribuída a agências de inteligência, reforça a necessidade de vigilância intensificada e de medidas preventivas diante da escalada de ameaças.

