Estudantes de SC criam listas de alunas “mais estupráveis” e picham símbolos nazistas em campus de Florianópolis

4 min de leitura
Créditos/Reprodução Internet

Alunos de duas instituições públicas de Santa Catarina elaboraram, a partir de agosto deste ano, listas que classificam universitárias como “mais estupráveis” e, no campus do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) em Florianópolis, picharam banheiros com mensagens misóginas, símbolos nazistas e referências a grupos de extrema‑direita. As ocorrências foram denunciadas nas redes dos movimentos estudantis e passaram a integrar investigação policial.

- Publicidade -

No IFSC, as pichações encontradas em banheiros continham expressões racistas, frases de ódio e símbolos da ideologia nazista, prática tipificada como crime pela Lei nº 7.716/1989. Além disso, foram registradas inscrições que simulavam uma “tabela de avaliação” do corpo das mulheres, culminando em uma lista que apontava alunas que “merecem ser estupradas”. A direção do campus Florianópolis afirmou ter tomado conhecimento dos relatos, iniciado a limpeza das pichações e aberto procedimento investigativo, destacando que “o fato ter ocorrido dentro de banheiros torna mais difícil a identificação dos autores, mas não iremos desistir de tentar solucionar o caso”.

Em Balneário Camboriú, reduto bolsonarista do estado, a Polícia Civil investiga, desde agosto, pelo menos cinco estudantes da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) acusados de criar uma lista que ranqueava alunas sob critérios de violência sexual. O boletim de ocorrência foi registrado e a universidade instaurou procedimentos administrativos para apurar os fatos. Segundo a mãe de uma das vítimas, a existência da lista foi descoberta quando a namorada de um dos suspeitos visualizou as mensagens no celular dele; o documento continha, além da classificação de “mais estupráveis”, ofensas relacionadas ao corpo e à cor das estudantes.

- Publicidade -

A denúncia também revelou que integrantes do grupo fotografavam alunas sem autorização e utilizavam inteligência artificial para montar imagens das mulheres em biquínis. O caso foi encaminhado ao Disque 100 e protocolado junto à coordenação e direção do campus da Udesc. Em nota, a reitoria da instituição declarou: “A Reitoria da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) informa que recebeu relatos sobre o caso envolvendo estudantes da Udesc Balneário Camboriú e está averiguando as providências a serem tomadas e os devidos procedimentos que competem à instituição. Os encaminhamentos internos têm como objetivo apurar os fatos, identificar as circunstâncias e eventuais responsáveis, assegurando o devido processo e a análise das informações disponíveis. A Universidade repudia veementemente toda e qualquer forma de violência, assédio, constrangimento, discriminação e desrespeito, bem como qualquer situação que atente contra a dignidade das mulheres. A Udesc reafirma seu compromisso com um ambiente universitário seguro, inclusivo e respeitoso”.

- Publicidade -

A origem da ideia de que certas mulheres “merecem ser estupradas” remonta a declarações do então deputado federal Jair Bolsonaro, que ganhou repercussão nacional em 2014. Em dezembro daquele ano, o pai de Flávio Bolsonaro afirmou que só não estupraria a deputada federal Maria do Rosário (PT‑RS) porque ela “não merecia”, repetindo frase originalmente proferida em 2003. Na ocasião, o então deputado estadual do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro, defendeu o pai, alegando que a fala de Jair havia sido “tirada de contexto” e dita “de forma irônica”.

Compartilhar este artigo