Brasil decide manter embaixador em Brasília após novos ataques de Milei

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Créditos/Reprodução Internet

O governo brasileiro decidiu manter o embaixador Julio Bitelli em Brasília e deixar a embaixada na Argentina sob a chefia de um encarregado de negócios. A medida reduz o nível da interlocução política entre os dois países e foi motivada por declarações recentes do presidente argentino Javier Milei com ofensas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista à emissora LN+.

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Apesar da alteração no status da representação diplomática, não houve rompimento das relações bilaterais, nem anúncio de restrições a viagens, ao comércio ou ao atendimento consular. A informação sobre a permanência do diplomata no Brasil foi divulgada pelo g1 e confirmada pela agência Reuters com uma fonte do governo brasileiro. De acordo com as apurações, o embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, já foi comunicado da decisão.

Bitelli já se encontrava na capital federal desde o final de julho, quando foi chamado para consultas pelo Ministério das Relações Exteriores. A convocação ocorreu após a presença de Milei em uma convenção do PL em São Paulo, no dia 25 de julho, ocasião em que o presidente argentino fez ataques pessoais a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Após o evento em São Paulo, o chanceler Mauro Vieira convocou o embaixador argentino Daniel Raimondi para manifestar formalmente a “repulsa” do governo do Brasil às declarações. O retorno de Bitelli a Buenos Aires estava sob avaliação, mas foi inviabilizado pela reiteração dos ataques em entrevista exibida no último domingo (02), quando Milei voltou a chamar o presidente brasileiro de “ladrão”, “corrupto” e “presidiário”.

Na ocasião, o líder argentino afirmou ainda que Lula teria deixado a prisão por um erro processual. As condenações do presidente brasileiro foram anuladas pelo STF após a constatação de que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os processos. Em ação distinta, a Segunda Turma da Corte reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro no caso do triplex.

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Sem o embaixador no posto, a embaixada brasileira na capital argentina continua funcionando sob o comando do encarregado de negócios, autoridade diplomática que assume a missão na ausência do titular. O encerramento da medida e a recondução do embaixador dependerão de mudanças na postura do governo argentino e da interrupção de ataques a autoridades brasileiras. O Itamaraty e o governo argentino foram procurados pela reportagem, mas não enviaram resposta até o momento da publicação.

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