Um levantamento divulgado pelo observatório De Olho nos Ruralistas apontou que as cem bandas mais contratadas por prefeituras e governos estaduais acumulam R$ 6,52 bilhões em recursos públicos para shows realizados em 2024 e 2025, além de contratos firmados no primeiro semestre de 2026. A quantia total ultrapassa o orçamento do Ministério da Cultura previsto para 2026. Os dados integram a atualização do dossiê “Farras: como os shows com dinheiro público conectam artistas, bets, política e agronegócio”, apresentados pelos jornalistas Alceu Luís Castilho e Bruno Stankevicius Bassi durante transmissão ao vivo na quinta-feira (17).
Com a inclusão do segundo trimestre de 2026 e a incorporação de bases de dados antes inacessíveis — como a do Tribunal de Contas do Estado do Piauí —, a amostragem alcançou 18.097 contratos firmados até 30 de junho de 2026. Em três meses, a pesquisa identificou R$ 1,5 bilhão adicionais direcionados ao grupo dos cem artistas mais contratados, valor que se soma aos R$ 5 bilhões contabilizados até março.
O mapeamento confirma a concentração de verbas em cinco produtoras: Camarote Shows, Vybbe, Top/Tapajós, Full e M&P. Juntas, essas empresas respondem por 37 das 100 bandas com maior volume de contratações, somando R$ 3,02 bilhões recebidos desde 2024. A Camarote, fundada pelo cantor e empresário Wesley Safadão, lidera o grupo com R$ 1,21 bilhão acumulados no período. No ranking individual, o sergipano Natanzinho Lima ocupa o primeiro lugar com R$ 206 milhões, seguido por Henry Freitas, da Full, com R$ 157 milhões, e Wesley Safadão, com R$ 150 milhões. Ao todo, 17 artistas já ultrapassaram a marca de R$ 100 milhões em verbas públicas cada.
O levantamento destaca a dominância de gêneros associados ao setor agropecuário, com o piseiro e o sertanejo ocupando as posições mais elevadas da lista, seguidos por arrocha e forró romântico. Gêneros como axé, pagodão baiano, eletrônico e gospel aparecem de forma pontual, com apenas um representante cada no ranking.
A pesquisa também aborda as conexões políticas e eleitorais por trás dos contratos. O relatório cita que Wesley Safadão possui proximidade com o deputado federal Júnior Mano (PSB-CE), que intermediou uma reunião do cantor no Ministério da Fazenda com o então ministro Fernando Haddad e com o Secretário de Prêmios e Apostas, Regis Anderson Dudena. O encontro foi articulado pelo senador Cid Gomes (PSB-CE), candidato à reeleição que tem Júnior Mano como 1º suplente. O observatório informou que continuará divulgando dados periódicos, incluindo um levantamento sobre emendas parlamentares e o lançamento de uma plataforma interativa previsto para março de 2027.



