O septeto sul‑coreano BTS lotou o MorumBIS, em São Paulo, nesta quarta‑feira (28), marcando a sua quarta visita ao Brasil e provocando manifestações políticas de fãs que entoaram cantos a favor do presidente Lula e contra o candidato derrotado Flávio Bolsonaro.
A plateia chegou cedo e, a partir das 20h, dominou o estádio com trajes roxos, light sticks, leques e cartazes, muitos contendo declarações de amor em coreano. Antes do início do espetáculo e nos breves silêncios ao longo da apresentação, o público elevou coros como “olê olê olê olá, Lula Lula”, celebrando o mandatário, e gritos direcionados a Flávio Bolsonaro, que fugiu para os Estados Unidos após a derrota nas eleições presidenciais.
A mobilização tem origem nas últimas semanas, quando seguidores do BTS integraram uma campanha nas redes sociais que culminou no protesto de 11 de outubro nas ruas de São Paulo. Na ocasião, cerca de 600 fã‑clubs, incluindo os de outros grupos de K‑pop, reuniram‑se a favor da candidatura de Lula, e o presidente, ao abrir a “Marcha pela Democracia”, agradeceu a iniciativa dos “fandoms do Brasil”.
O show, que não contou com performances solo de RM, Jin, Suga, J‑Hope, Jimin, V ou Jung Kook, concentrou‑se na energia coletiva. RM, Suga e J‑Hope dominaram os versos com influência do hip‑hop, enquanto Jin, Jimin, V e Jung Kook conduziram linhas vocais mais melódicas, lembrando cantores influenciados pelo soul. Os ad‑libs, curtos e por vezes improvisados, pontuaram a apresentação.
A sonoridade ao vivo revelou‑se mais pesada que nas gravações de estúdio, refletindo a fusão característica do BTS entre hip‑hop americano dos anos 1990, EDM dos anos 2000 e pop dançante. Entre os sucessos, “Fake Love” da fase “Love Yourself” foi engolido pelos gritos em alto decibel do fandom, enquanto “Butter” e “Dynamite” fecharam o espetáculo em versões que combinaram sons gravados e vocais, sem a presença de músicos ao vivo.
A produção optou por quatro telões de LED integrados ao recinto, ao invés dos seis utilizados em outros países, justificando a escolha como consequência de limitações logísticas na parte latino‑americana da turnê. O palco 360 graus e as quatro passarelas inseridas na plateia compensaram a estrutura mais enxuta, embora a coreografia de dançarinos com panos – reminiscente dos desfiles olímpicos – tenha sido considerada pouco impactante visualmente. Quando os bastões luminosos retornaram, o efeito cênico foi, por outro lado, bastante impressionante.
Interações espontâneas entre os membros, que fogem ao protocolo, foram recebidas com alvoroço, evidenciando a devoção do ARMY, nome da base de fãs do BTS. Nos momentos mais animados, o estádio vibrou ao ritmo das coreografias sincronizadas, enquanto frases em português como “Vocês encheram este estádio gigante” e “Cês não tão de brincadeira” foram lançadas pelos integrantes.
Entre as novidades, a faixa “Body to body” destacou‑se com um timbre de pop‑rock de arena. Como acontece com boy bands ocidentais como Backstreet Boys e One Direction, o BTS atinge seu ápice quando une talento e carisma, mas, ao contrário desses grupos, os sete membros também compõem a maior parte de seu repertório: das 20 músicas mais ouvidas no Spotify, 14 trazem ao menos um integrante entre os compositores.
A turnê do álbum “Arirang”, lançado em março de 2026, iniciou‑se em 9 de abril em Goyang, Coreia do Sul, e segue até março de 2027, percorrendo Ásia, América do Norte, Europa, América Latina e Oceania. No Brasil, o BTS apresenta‑se em três noites consecutivas no MorumBIS – 28, 30 e 31 de outubro – com ingressos esgotados em todas as datas.

