O governo federal está analisando a criação de uma “lista suja” que reunirá empresas acusadas de praticar assédio eleitoral, com a possibilidade de limitar o acesso dessas organizações a crédito público. A proposta foi apresentada pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, nesta quarta‑feira (28), durante coletiva realizada com representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Marinho explicou que o objetivo é identificar empregadores que pressionem, demitam ou deixem de contratar trabalhadores por sua orientação política. O modelo estudado prevê a participação do Banco Central, que comunicaria a rede financeira sobre as empresas que cometem tais violações, embora o mecanismo de restrição de crédito ainda esteja em fase de avaliação.
O MPT informou que recebeu, nos últimos três dias, ao menos 1.140 denúncias de assédio eleitoral, totalizando 3.080 relatos desde o início da campanha. Esses números foram divulgados pelo procurador regional do trabalho, Maurício Coentro Pais de Mello, durante a mesma imprensa.
Além da proposta de lista, Marinho anunciou a criação de uma força‑tarefa destinada a combater as irregularidades. O ministro ressaltou que a liberdade de escolha política deve ser preservada independentemente do candidato apoiado pelo trabalhador, afirmando: “Se tiver mau empresário, terá a mão pesada do Estado”.
Em meio ao debate, um tweet publicado pelo perfil @updatecharts reproduziu a fala de Lais Jordy, esposa do deputado federal Carlos Jordy, que conclamou empresários a demitir petistas, dizendo: “Demita um petista, o voto dele prejudica o seu negócio, prejudica a tua família, prejudica a tua vida, vocês merecem respeito”.
O presidente do TST, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, destacou que as denúncias abrangem assalariados, profissionais autônomos que divulgam serviços nas redes sociais e pequenos estabelecimentos comerciais. Ele garantiu resposta rápida às ilegalidades e alertou para o risco econômico que recai sobre os empregadores envolvidos.
O anúncio ocorre após a circulação de mensagens bolsonaristas que defendem a demissão de eleitores de Lula. Antes da coletiva, governo e TST já discutiam uma ofensiva para apurar ameaças e perseguição política no ambiente de trabalho, inclusive cogitando a restrição da participação de empresas em licitações públicas.
Denúncias podem ser encaminhadas aos canais de assédio eleitoral do Ministério do Trabalho e do MPT. Na ocasião, Marinho enfatizou que a proteção prevista também alcança trabalhadores que sejam prejudicados após a votação por terem manifestado sua preferência política.

