A Prefeitura de São Paulo demandou esclarecimentos do Instituto Conhecer Brasil a respeito de despesas que totalizam R$ 13,4 milhões. A cobrança está relacionada a um contrato estabelecido para a instalação de pontos de wi-fi livre em áreas de baixa renda na capital paulista. As questões levantadas pela gestão municipal referem-se a gastos realizados no primeiro semestre de 2025 no âmbito desta parceria.
O Instituto Conhecer Brasil é presidido por Karina da Gama, que também é proprietária da Go Up Entertainment, empresa produtora do filme “Dark Horse”. Este longa-metragem é inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A conexão entre a ONG e a produtora do filme é um dos elementos de contexto que permeiam a situação, que já está sob investigação da Polícia Civil de São Paulo por suspeitas de fraude e desvio de dinheiro público, inclusive com foco no possível uso de verba pública no financiamento do filme.
Dentre as despesas questionadas pela Prefeitura, um montante de R$ 906 mil foi classificado para “restituição imediata” caso o instituto não apresente justificativas consideradas adequadas. A administração municipal apontou a ausência de comprovação por notas fiscais em diversos pagamentos, além da falta de especificação clara dos serviços que teriam sido prestados. Ao todo, 41 despesas foram sinalizadas como suspeitas dentro do contrato. Os R$ 906 mil para restituição estão especificamente vinculados a notas fiscais que foram canceladas.
A presidente do Instituto Conhecer Brasil, Karina da Gama, confirmou o recebimento do ofício na última segunda-feira (6) e informou que a entidade tem um prazo de 30 dias, a partir da notificação, para fornecer os esclarecimentos solicitados. Em nota, a Prefeitura reforçou que a cobrança “confirma o trabalho sério e rigoroso de fiscalização ativa da parceria”. Karina da Gama assegurou, em nome da organização, que atenderá à diligência com “a máxima brevidade e transparência”, afirmando estar reunindo a documentação e informações complementares com fornecedores e parceiros. Quatro das despesas suspeitas, totalizando R$ 2,2 milhões, foram direcionadas à Complexsys. Em dezembro de 2024, o Instituto realizou dois pagamentos à Complexsys, somando R$ 1,3 milhão. Naquele período, um dos sócios da Complexsys também fazia parte da diretoria da ONG, o que é vedado pela legislação por configurar conflito de interesses. Embora o sócio tenha deixado a diretoria em março de 2025, novos pagamentos à empresa foram registrados nos meses seguintes.
O contrato original entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil, firmado em 2024, tinha o valor de R$ 108 milhões, recebendo posteriormente um aditivo de R$ 49 milhões. A Polícia Civil de São Paulo continua com as investigações sobre o convênio, focando nas suspeitas de fraude e desvio de recursos públicos. O inquérito busca determinar se houve uso indevido de verbas públicas, incluindo a possibilidade de direcionamento para o financiamento do filme que tem o ex-presidente Jair Bolsonaro como tema. A apuração municipal e a investigação policial buscam clarear as operações e a gestão dos fundos neste projeto.



