Leslie Pickett, moradora da Louisiana, passou meses convencida de que mantinha conversas íntimas com Jon Bon Jovi, líder da banda que admira desde os 14 anos. Acreditando estar trocando mensagens com o astro do rock, recebeu vídeos, áudios e até um buquê de flores enviados por uma conta que se apresentava como o cantor, mas que, ao fim, revelou‑se um golpe que lhe fez perder mais de US$ 10 mil – cerca de R$ 50 mil – e quase comprometer a sua residência.
No final de 2024, a fã encontrou a conta verificada de Bon Jovi no Instagram e comentou em uma publicação. Cinco minutos depois, recebeu resposta de uma conta não verificada que imitava o cantor. “Ele deu respostas muito bem pensadas às minhas perguntas, então achei, de verdade, que era ele. E eu não entendia muito bem essa história dos selos de verificação. Cheguei a ter dúvidas, mas, enfim… sonhar não custa nada”, relatou Pickett à Fox News Digital.
Segundo a vítima, o impostor alegou querer se conectar com os fãs de forma mais pessoal e alertou que, se a equipe oficial de Bon Jovi descobrisse a conta secreta, ela seria encerrada. Durante meses, eles trocaram mensagens várias vezes ao dia e à noite, criando um vínculo em torno da música e de interesses comuns. O fraudador lembrava detalhes das primeiras conversas, dizia “Eu te amo” e enviou um buquê para a casa de Leslie.
A comunicação evoluiu para chamadas de vídeo ao vivo, mas a imagem que aparecia na tela era gerada por inteligência artificial. Leslie não tinha conhecimento de IA na época e acreditou estar realmente falando com o ídolo, agora com um viés romântico. Ela chegou a mostrar “prints” da conversa a um primo, que também ficou convencido de que se tratava de Bon Jovi.
Foi então que o impostor propôs um encontro, explicando que seria necessário contatar a equipe de gestão da carreira do artista. “Ele me passou os e‑mails da equipe dele e me explicou, passo a passo, como proceder. Eu nunca tinha nem ouvido a palavra ‘cripto'”, contou a americana. O fraudador sugeriu o uso de criptomoedas, alegando que sites convencionais eram vulneráveis a ataques. “Isso foi um sinal de alerta, mas o dinheiro foi enviado com um propósito específico. Eu esperava receber algo em troca. Encontros com artistas são comuns quando se trata de pessoas famosas, então não achei que fosse um golpe. A questão do bitcoin e das criptomoedas foi a única coisa que me fez pensar: ‘Por que não estou acessando um site convencional?’. Ele respondeu: ‘Esses sites são hackeados o tempo todo. Esta é a forma mais segura de fazer isso’. Ele me deixou tranquila”, explicou Pickett.
As solicitações de pagamento começaram com valores modestos, mas foram crescendo. Leslie enviava US$ 100 ou US$ 150 por vez, e o fraudador alegava que as transferências não haviam sido concluídas. Ele então orientava a vítima a usar diferentes meios – Venmo, PayPal, Cash App e, por fim, criptomoedas – aumentando progressivamente os valores. Em algumas noites, a mulher ficou acordada tentando descobrir como enviar o dinheiro, chegando a ultrapassar a marca de US$ 10 mil.
Quando percebeu que os fundos não retornavam às suas contas, Leslie reconheceu o golpe. As dívidas acumuladas deixaram sua casa à beira da retomada pelo credor. “Meu coração ficou em pedaços”, disse ela, ainda emocionada. Sua história foi incluída em um documentário sobre fraudes on‑line, que busca alertar o público sobre a crescente sofisticação dos golpes virtuais.
A jornalista e diretora Mariana van Zeller, entrevistada pela Fox News Digital, comentou que “vivemos na era dos golpes” e destacou que os golpes românticos são a modalidade de crime financeiro que mais cresce e, em sua opinião, a mais devastadora. “Um em cada sete americanos relata ter perdido dinheiro com esse tipo de fraude. Por isso, acredito que este é o momento ideal para conscientizar as pessoas”, afirmou.
Com o auxílio de um hacker, van Zeller identificou a origem das operações – um centro de fraudes em Lagos, na Nigéria, que tem sido responsável por inúmeros golpes on‑line. A investigação revelou que o esquema de Leslie não foi isolado, mas parte de uma rede maior que explora fãs de celebridades.
Jon Bon Jovi não comentou o caso. O cantor, casado desde 1989 com Dorothea Hurley – com quem se conheceu na época de escola em Nova Jersey – permanece fora do assunto. O casal tem quatro filhos e segue ativo na carreira musical.

