Willer Tomaz, advogado sob investigação da Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro, adquiriu ao menos quinze imóveis em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo entre 2021 e 2026, totalizando R$ 62 milhões. As compras foram realizadas tanto em seu nome quanto por intermédio da empresa WT Administração de Imóveis e Bens, e incluem a construção de uma mansão de três pavimentos com subsolo, térreo, piso superior e heliponto no bairro Lago Sul, em Brasília.
O levantamento de escrituras de compra e venda revelou que, em março de 2024, a WT pagou R$ 12,5 milhões por um terreno de 764 metros quadrados que abrigava uma casa demolida para dar lugar ao novo empreendimento. Além desse lote, Tomaz adquiriu, um ano depois, a residência vizinha na mesma quadra por R$ 6,1 milhões; o imóvel possui 494 metros quadrados construídos em um lote de 1.033 metros quadrados, com R$ 1,83 milhão pagos via transferência bancária e o restante financiado pelo Banco de Brasília.
A Polícia Federal conduz duas frentes de investigação contra Tomaz: um inquérito sobre supostos desvios em benefícios de aposentados do INSS e outro que apura um possível esquema ligado a casas de apostas. O senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ), candidato à Presidência da República, também figura no inquérito das apostas e mantém estreita relação com o advogado, tendo viajado em jatinhos particulares de Tomaz e atuado ao lado dele na advocacia.
Segundo fontes, Tomaz e Bolsonaro são amigos de longa data, já defenderam-se mutuamente em sessões do Senado e podem ter mantido sociedade em negócios que hoje são objeto de apuração. Os investigadores ainda analisam a hipótese de que ambos tenham participado de transações imobiliárias conjuntas, embora a escritura registre a empresa de Tomaz como única proprietária.
A construção da mansão mobiliza uma ampla cadeia de fornecedores, incluindo empresas de arquitetura, paisagismo, marmoraria, ar‑condicionado, esquadrias, revestimentos, áudio e vídeo, além de equipes de design. Trabalhadores e prestadores de serviços relatam que o empreendimento deveria ser concluído ainda este ano, mas a entrega tem sofrido atrasos.
Rogério Luís de Resende, antigo proprietário do primeiro imóvel adquirido, afirmou que a negociação chegou à WT após a desistência de outro comprador que deixou de pagar as parcelas previstas. “Foi feita uma transferência bancária do valor integral da diferença que faltava eu receber”, declarou, acrescentando que o recurso veio da conta da WT. Resende também relatou que Tomaz demoliu integralmente a construção anterior, inclusive o subsolo, deixando “um grande buraco do tamanho do terreno”.
O antigo dono informou ainda que o terreno vendido já incluía espaço destinado a heliponto e quadra de tênis. Segundo vizinhos, Tomaz teria anunciado um investimento de R$ 25 milhões no projeto, com a intenção de revender a propriedade por R$ 50 milhões. Pessoas ligadas à obra confirmam que a mansão destina‑se à moradia do proprietário, mas a assessoria de Tomaz informou que ele não responderá aos questionamentos da imprensa.
Além da sede no Lago Sul, Tomaz é proprietário do Rancho Tomaz, em Planaltina (DF). Uma fotografia divulgada mostra o local reunindo políticos como Arthur Lira (PP‑AL), Alexandre Ramagem (PL‑RJ), Juscelino Filho (PSDB‑MA), Elmar Nascimento (União Brasil‑BA), Paulo Azi (União Brasil‑BA) e Weverton Rocha (PDT‑MA). A relação com Weverton integra a apuração da PF sobre fraudes em benefícios do INSS; o parlamentar residia em Brasília em uma casa de R$ 6 milhões formalmente pertencente à WT Administração de Imóveis e Bens, tendo deixado o endereço no primeiro semestre deste ano.
A Polícia Federal afirma que o senador Flávio Bolsonaro participou das tratativas para a compra do imóvel, embora a escritura registre a empresa de Tomaz como proprietária. O caso segue sob investigação, com foco nas supostas irregularidades financeiras e nas conexões entre os envolvidos.

