Mercado de remédios para emagrecer no Brasil, China e Índia pode movimentar US$ 22 bilhões até 2035

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O mercado de medicamentos destinados ao emagrecimento e ao controle do diabetes no Brasil, na China e na Índia pode movimentar US$ 22 bilhões até 2035, cifra que representa mais que o triplo do volume atual de US$ 6,6 bilhões. A estimativa consta em um estudo divulgado pelo banco norte-americano J.P. Morgan na última sexta-feira (23). A instituição financeira projeta um crescimento médio de 15% ao ano para o setor, impulsionado pela expansão da demanda, pelo vencimento de patentes e pela entrada de opções mais baratas no mercado.

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O levantamento fundamenta-se no expressivo potencial de expansão dos fármacos da classe GLP-1, amplamente utilizados no tratamento de distúrbios metabólicos e obesidade. Entre os produtos mais conhecidos dessa categoria estão o Ozempic e o Wegovy, desenvolvidos pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, e o Zepbound, da norte-americana Eli Lilly. Atualmente, os três países emergentes apresentam índices de utilização muito reduzidos em comparação ao tamanho de suas populações, o que estabelece um cenário propício para a expansão da indústria farmacêutica.

Do ponto de vista epidemiológico, a China e a Índia abrigam, respectivamente, mais de 25% e 15% de todos os casos de diabetes diagnosticados globalmente. No Brasil, estimativas indicam que aproximadamente 12% da população adulta vive com a doença. Atualmente, o mercado brasileiro lidera as vendas de tratamentos com GLP-1 entre os três países analisados, mas o J.P. Morgan prevê que a China assumirá a liderança até 2027, alavancada pelo tamanho de sua população e pela ampliação do acesso à saúde.

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Até 2035, a instituição financeira estima que o mercado de medicamentos GLP-1 alcance US$ 13,7 bilhões na China e US$ 8 bilhões no Brasil. Apesar desse avanço significativo, a projeção aponta que o uso dessas terapias no Brasil deve atingir entre 7% e 8% do contingente de pessoas com obesidade até 2035, índice inferior aos cerca de 30% projetados para os Estados Unidos no mesmo período. A diferença no acesso é marcante no cenário atual, em que a adesão aos tratamentos varia de 4% a 5% nos Estados Unidos, enquanto na China é inferior a 0,1% e na Índia não chega a 0,2%.

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A redução nos custos dos tratamentos figura como um dos fatores determinantes para sustentar o avanço projetado pelo estudo. O fim da proteção patentária, o ingresso de produtores de genéricos e eventuais políticas governamentais devem baratear os produtos e elevar a competitividade. No cenário brasileiro, a indústria já se articula com o surgimento de novas versões de medicamentos à base de semaglutida, enquanto o Ministério da Saúde encaminhou, em setembro, um pedido de avaliação à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) para estudar a inclusão de canetas emagrecedoras na rede pública.

Na Índia, a expansão comercial enfrenta desdobramentos específicos, como restrições de ordem financeira, barreiras culturais e a resistência de parte dos pacientes ao uso de medicamentos injetáveis. Ainda assim, o otimismo quanto ao setor gera expectativas favoráveis para companhias envolvidas na produção, distribuição e venda dessas substâncias. Entre as empresas destacadas pelo J.P. Morgan como potenciais beneficiárias estão a chinesa Innovent, as indianas Divi’s Laboratories e Torrent Pharmaceuticals, e a brasileira RD Saúde. As projeções sinalizam que o mercado para obesidade e diabetes ampliará sua presença nos países emergentes ao longo da próxima década.

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