Marco Nanini é vaiado ao retirar intérprete de Libras da peça “Fim de partida” em Porto Alegre

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Créditos/Reprodução Internet

Um público que assistia à montagem de Samuel Beckett, “Fim de partida”, no Teatro Simões Lopes Neto, em Porto Alegre, foi surpreendido por vaias quando o ator Marco Nanini pediu a retirada da intérprete de Libras cerca de dez minutos após o início da apresentação, alegando que a iluminação sobre a profissional projetava sombras que comprometiam sua visão.

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Segundo relatos do jornalista Roger Lerina e de outros espectadores presentes, a cena foi interrompida e a cortina parcialmente fechada enquanto técnicos, intérpretes e membros da produção buscavam uma solução. A tentativa não resultou em ajuste técnico e a peça foi retomada sem o recurso de acessibilidade, provocando protestos e xingamentos de parte da plateia.

Lerina, que cobriu o evento, descreveu a reação do público: “As pessoas surdas saíram da sala e muitos ouvintes se recusaram também a permanecer.” Ele também informou que o intervalo se estendeu até que a equipe de Libras deixasse o local e que a produção comunicou que o espetáculo continuaria sem tradução, por decisão interna.

A Pequena Central de Produções Artísticas, empresa de Nanini responsável pela montagem, divulgou nota de esclarecimento reconhecendo falha no planejamento da sessão, que havia sido anunciada com audiodescrição e interpretação em Libras. A produtora apontou um “problema de compatibilidade entre o posicionamento da intérprete de Libras e a iluminação do espetáculo” e admitiu que não verificou previamente as condições técnicas necessárias.

“Reconhecemos que a produção falhou ao não verificar e garantir previamente as condições técnicas necessárias à realização da sessão com interpretação em Libras neste teatro”, constava na nota, que ainda acrescentava: “Assumimos inteira responsabilidade por essa falha e por suas consequências” e pedia desculpas ao público surdo, às intérpretes e a todos os envolvidos.

A intérprete Victória Conceição, que atuou na sessão, contestou a versão de que a equipe teria decidido retirar-se. Em postagens nas redes sociais, escreveu: “A equipe de intérpretes não decidiu se retirar. Fomos comunicadas que não haveria mais a possibilidade de continuar com a interpretação, a acessibilidade foi dispensada e, com isso, o público surdo foi mandado embora pra casa.”

Até o momento da publicação, Marco Nanini não se pronunciou sobre o incidente. O episódio reacendeu o debate sobre a garantia de acessibilidade em eventos culturais e a necessidade de planejamento técnico adequado para atender ao público surdo.

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