Na noite de sexta‑feira (16), a Polícia Militar de Alagoas deteve o porteiro Edmilson dos Santos, responsável por um prédio na Ponta Verde, em Maceió, depois que ele retomou o chamado de panela e gritou o nome do presidente Lula (PT) quando a viatura policial já deixava o local. A ocorrência foi registrada como perturbação de sossego alheio.
O primeiro‑sargento Fabiano Pituba Pereira, chefe da guarnição, relatou que os moradores haviam se acalmado após a intervenção policial, mas que Edmilson voltou a fazer barulho e a gritar, incitando outros residentes a manter a manifestação e provocando tumulto. Segundo o termo assinado pelo militar, os policiais pediram que o porteiro se dirigisse à guarnição na rua, porém ele solicitou a entrada dos agentes na área interna do edifício.
Fabiano informou ao porteiro que ele seria conduzido à delegacia; Edmilson, porém, exaltou‑se e passou a telefonar para moradores e outras pessoas. O terceiro‑sargento Divaldo Galvão do Nascimento Júnior confirmou a versão do colega em depoimento, embora nenhum dos relatos mencione ofensas ou ameaças diretas de Edmilson aos policiais. O porteiro permaneceu no banco traseiro da viatura, sem algemas, acompanhado por um patrulheiro.
O episódio ganhou repercussão nas redes sociais. Em um tweet, Lázaro Rosa destacou que dois apoiadores de Flávio Bolsonaro teriam descido de carro, incomodado‑se com a manifestação, iniciado confusão e acionado a PM. O mesmo usuário compartilhou um vídeo que mostra um policial tentando pular o muro do prédio antes da abertura do portão.
A defesa de Edmilson, conduzida pelo advogado Matheus Gonzaga, contestou a versão apresentada pela polícia. “É necessário esclarecer, portanto, qual conduta individual justificou a condução exclusiva do porteiro”, declarou o defensor. Gonzaga alegou que os depoimentos reconhecem uma manifestação envolvendo moradores de vários prédios e que outro residente, e não Edmilson, teria realizado as ligações apontadas pelos policiais.
Segundo a defesa, registros em vídeo e testemunhos podem esclarecer a sequência dos fatos e demonstrar que o porteiro tentou evitar uma discussão entre o reclamante e um morador antes da chegada da PM. O indivíduo que acionou a polícia teria parado o carro diante do edifício, confrontado o músico Felipe Verlaine – que carregava uma bandeira de Lula – e provocado a briga; Verlaine registrou queixa por ameaça.
Edmilson foi liberado na madrugada de sábado (17) após assinar termo de compromisso, comprometendo‑se a comparecer ao Juizado Especial Criminal de Maceió quando for convocado. O caso segue sob acompanhamento da Corregedoria‑Geral da PM, do Ministério Público Eleitoral, da Promotoria de Controle Externo da Atividade Policial e da Comissão de Direitos Humanos da OAB de Alagoas.



