Na madrugada desta sexta‑feira (23), o ministro da Secretaria‑Geral da Presidência, Guilherme Boulos, usou a rede X para declarar que o prazo “era 23:59” e que “acabou”, acusando o senador Flávio Bolsonaro de não ter entregue seus sigilos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e chamando‑o de ladrão.
No mesmo post, Boulos escreveu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “entregou todos os sigilos abertos ao TSE” e que Flávio “não entregou nada”, acusando o senador de ter “fugido como um rato porque deve. E deve muito!”. O ministro ainda afirmou que “agora o Brasil sabe quem é o ladrão”.
As acusações foram feitas sem o apoio de documentos anexados ao post, limitando‑se a declarações verbais na rede social.
Em 20 de outubro, o presidente Lula protocolou no TSE um pedido de autorização para a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, bem como dos de seus familiares, condicionada à mesma medida por parte do senador Flávio Bolsonaro.
Caso o adversário recuse, os sigilos do presidente permanecem protegidos pelas normas constitucionais que garantem a privacidade de dados a qualquer cidadão ou autoridade, o que significa que os dados de Lula ainda não foram abertos ao público.
A frase de Boulos, ao afirmar que Lula “entregou todos os sigilos”, omite essa condição de reciprocidade prevista no pedido presidencial.
Aliados de Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), afirmam que o senador não aceitará o desafio proposto por Lula, mantendo‑se firme contra a suposta quebra de sigilos.
O prazo para resposta ao pedido era quarta‑feira (21 de outubro). Até o final do dia 20, Flávio Bolsonaro ainda não havia se pronunciado formalmente sobre o desafio, e as fontes disponíveis não registram qualquer resposta posterior.
A campanha de Flávio ainda precisa ser ouvida a respeito das acusações de Boulos, que permanecem sem contestação oficial até o momento.
Vale lembrar que Guilherme Boulos ocupa o cargo de ministro no governo Lula, o que o coloca como parte interessada no debate sobre a quebra de sigilos.
Em junho, o TSE rejeitou um pedido do PL para remover outra publicação de Boulos sobre Flávio Bolsonaro; o ministro da Justiça, André Mendonça, caracterizou o vídeo como de tom severo, depreciativo e politicamente desfavorável ao senador.

