A atriz Luana Piovani divulgou em suas redes sociais, no último domingo (14), um vídeo que retrata a agressão a um jovem indígena na região de Amambai, Mato Grosso do Sul. As imagens, que mostram um episódio ocorrido no início do mês de junho, ganharam ampla repercussão, mas foram acompanhadas de informações que as autoridades consideram distorcidas. O caso está sob investigação da Polícia Federal, que busca esclarecer os fatos e as responsabilidades dos envolvidos.
No vídeo compartilhado, Luana Piovani afirmou que o jovem agredido teria sido espancado até a morte, questionando em sua postagem: “Estão dizimando os indígenas. Até quando vamos ficar coniventes com esses desmandos?”. Tal declaração, contudo, não corresponde à realidade apurada pelas investigações. A propagação da notícia de óbito gerou preocupação, levando à necessidade de esclarecimentos por parte das instituições envolvidas no monitoramento da situação na aldeia.
A Polícia Federal, em resposta às informações que circularam, confirmou que o jovem agredido não faleceu e que tanto ele quanto os homens que aparecem nas imagens foram devidamente ouvidos pelas autoridades. A investigação preliminar da PF apontou que o incidente teve origem em um possível furto de uma vaca pela vítima, fato que, segundo as apurações, teria provocado revolta dentro da própria aldeia indígena. O governo de Mato Grosso do Sul corroborou essa versão em nota oficial, informando que o caso é tratado como furto de gado e que o jovem está sendo investigado.
Ainda sobre o ocorrido, o cacique da Tekoha Guapo’y, Flaviano Franco, enviou um relatório desmentindo a morte do jovem. “O rapaz do vídeo (…) não está morto, o rapaz está bem, foi solto e voltou para casa”, descreveu Flaviano Franco. Ele explicou que o jovem foi detido por seguranças também indígenas, da retomada Guapo’y Mirim, após o furto da vaca junto a um grupo. O cacique relatou ter sido alertado por outro líder sobre o risco de linchamento por parte dos familiares dos donos do animal. Diante da repercussão, Flaviano Franco solicitou que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério Público Federal (MPF) interviessem para corrigir a falsa notícia. O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, por sua vez, classificou as agressões como tortura, mesmo sendo praticadas por indígenas, e afirmou ter acionado a PF e o MPF em 10 de junho para investigação e responsabilização.
A apuração dos fatos pelas autoridades e pelas lideranças indígenas contrasta significativamente com a narrativa inicialmente divulgada nas redes sociais. Enquanto a gravidade da agressão é reconhecida e investigada como tortura pelo ministro Eloy Terena, a informação sobre o falecimento da vítima foi categoricamente desmentida. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal continuam atuando para apurar as circunstâncias exatas do caso, garantir a responsabilização dos envolvidos e assegurar que informações precisas sejam disseminadas sobre os eventos na comunidade indígena em Amambai.



