O banqueiro João Amoêdo, fundador e ex-presidente do Partido Novo, declarou voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial de 2026, neste domingo (25). Em entrevista concedida à Folha de S.Paulo, o empresário afirmou que uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) representa um risco superior à estabilidade democrática do país.
“Acho que estamos, de novo, indo para uma solução muito ruim, pior ainda que em 2022, porque o Flávio me preocupa tanto ou mais que o pai dele”, declarou Amoêdo. O ex-candidato também criticou o atual presidente por não ter reduzido a polarização política ao longo do mandato e enfatizou que o parlamentar do PL representa uma família cujo propósito é “se perpetuar no poder”.
Como pilar de sua decisão, Amoêdo ressaltou a defesa do senador pelo retorno de Jair Bolsonaro à cena política e a promessa de governar ao lado dele. “Não podemos esquecer que Jair Bolsonaro foi condenado por uma tentativa de golpe e uma das pautas principais do Flávio é trazê-lo de volta, inclusive já disse que vai governar com ele, subir a rampa, e todo aquele negócio”, apontou o ex-dirigente do Novo.
Apesar de optar pelo candidato petista, o banqueiro fez duras restrições à condução econômica do governo, avaliando que Lula não demonstra compromisso com a responsabilidade fiscal. Em sua análise, a atual gestão efetua gastos com retorno limitado e deixa de combater as causas da pobreza de maneira consistente.
“Quando você não tem responsabilidade fiscal, diferentemente do que ele fala, essa conta sempre estoura nos mais pobres, estoura na inflação, estoura nas taxas de juros mais altas e na dificuldade do sujeito de tocar um pequeno negócio”, expressou Amoêdo. O empresário declarou ainda que o governo desperdiçou a chance de eliminar privilégios, reduzir benefícios tributários a setores específicos e tornar os serviços públicos mais eficientes, preferindo Lula unicamente por considerar a falta de compromisso democrático um problema ainda mais grave.
Projetando um eventual mandato sob o comando de Flávio Bolsonaro, Amoêdo afirmou não acreditar que o senador levaria adiante reformas estruturais, privatizações ou medidas de ajuste fiscal. Ele também questionou a condução das relações externas do país com os Estados Unidos sob a liderança do parlamentar, prevendo um cenário de “poucos avanços e muita frustração”.
Amoêdo disputou a Presidência da República no pleito de 2018, ocasião em que conquistou 2.679.745 votos no primeiro turno, o equivalente a 2,50% dos votos válidos. Em novembro de 2022, o empresário desligou-se do Novo após divergências públicas em relação ao direcionamento político adotado pela sigla.

