O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou nesta quinta-feira (18) que o governo americano efetuará um pagamento de US$ 300 bilhões ao Irã. A declaração foi feita em sua rede social Truth Social, um dia após a assinatura de um acordo de paz com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, em 17 de junho de 2026, onde a cifra foi mencionada como parte de um plano de reconstrução.
A controvérsia surgiu em torno de uma cláusula do memorando de paz assinado entre as duas nações, que prevê a elaboração de um programa para a reconstrução e o desenvolvimento econômico do Irã. Este plano, cujo valor mínimo é estimado em US$ 300 bilhões, seria desenvolvido pelos Estados Unidos “junto de seus parceiros regionais”. No entanto, o documento original não detalha a origem específica dos recursos nem o mecanismo de financiamento.
Em sua publicação no Truth Social, Donald Trump repudiou a interpretação de que Washington seria diretamente responsável pelo montante. “Não há nenhum pagamento de 300 bilhões de dólares dos EUA ao Irã. Isso é notícia falsa!”, escreveu o presidente. Ele complementou, afirmando que “Tudo o que importa para os EUA é o sucesso, a queda dos preços do petróleo e a vitória. Observem o mercado de ações.” Além da questão financeira, Trump também utilizou a plataforma para cobrar que Israel cumpra o cessar-fogo estipulado no memorando, expressando a expectativa por “um cessar-fogo completo em todas as frentes, incluindo Líbano, Hezbollah e Israel”.
O acordo, composto por 14 pontos, declara o fim imediato e permanente das hostilidades em todas as frentes, inclusive no Líbano. Nele, Estados Unidos e Irã se comprometem a evitar novos conflitos e a respeitar mutuamente a soberania e a integridade territorial. Como parte das obrigações de Washington, está a suspensão do bloqueio naval ao Irã e a retirada de suas forças militares da região circundante ao país em até 30 dias após a assinatura. Por sua vez, Teerã deve reabrir o Estreito de Ormuz no mesmo prazo e garantir a passagem segura e gratuita de navios comerciais por 60 dias.
Na esfera nuclear, o Irã reafirma seu compromisso de não produzir ou adquirir armas atômicas, e ambas as partes concordam em negociar a destinação do urânio enriquecido armazenado, com a possibilidade de diluição sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica, além de discutir outros temas de enriquecimento no acordo final. O documento também prevê o levantamento das sanções contra o Irã, a autorização para a comercialização de petróleo e produtos petroquímicos iranianos e a liberação de ativos e fundos congelados. A expectativa é que o acordo final seja concluído em até 60 dias e seja ratificado por uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU.



