Flávio Bolsonaro critica tarifas dos EUA e busca reverter imagem em audiência em Washington

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Créditos: Imagem/Divulgação

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou nesta terça-feira a proposta de sobretaxa comercial do governo Donald Trump, afirmando que o “tarifaço” é prejudicial tanto para o Brasil quanto para os Estados Unidos. A declaração foi feita em Washington, minutos antes de sua participação em uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A iniciativa do parlamentar ocorre em meio a esforços para amenizar o desgaste político gerado por sua atuação anterior na questão.

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A manifestação de Flávio Bolsonaro sucede dias de repercussão negativa, após a divulgação de um documento entregue por ele ao USTR. No texto, o senador sugeria que os Estados Unidos adiassem a implementação das tarifas enquanto Brasil e EUA negociassem um acordo comercial. Tal proposta foi explorada por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que passaram a acusar membros da família Bolsonaro de agirem contra os interesses nacionais ao manterem interlocução direta com autoridades americanas durante a investigação comercial.

Para defender a posição brasileira e tentar convencer o governo americano, Flávio Bolsonaro anunciou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que prolongaria sua estadia nos Estados Unidos por mais um dia, cancelando sua agenda prevista para esta quarta-feira em Pernambuco. Ele afirmou que as reuniões são cruciais para demonstrar, de forma técnica e política, os malefícios das tarifas para ambos os países. A estratégia de sua participação na audiência pública visava, segundo aliados, recalibrar o discurso e reforçar a oposição à sobretaxa de 25% proposta por Donald Trump, bem como defender o sistema Pix e cobrar uma solução negociada para o impasse comercial. Integrantes de sua campanha classificaram a manifestação anterior como “mal interpretada”, afirmando que a intenção era defender uma suspensão da medida para abrir espaço a uma negociação.

No embate político, o senador voltou a responsabilizar Luiz Inácio Lula da Silva pela crise comercial, ao mesmo tempo em que o presidente o acusava, juntamente a outros integrantes da família Bolsonaro, de atuar contra os interesses nacionais. Flávio Bolsonaro, por sua vez, acusou o governo de explorar politicamente a crise e utilizou a plataforma para reiterar sua posição. Durante a audiência, ele concentraria seu discurso em três eixos principais: reforçar a contrariedade à aplicação das tarifas, defender o Pix como infraestrutura pública do Banco Central, e promover uma maior abertura comercial do Brasil, sugerindo que o país se liberte das “amarras do Mercosul” para ampliar acordos bilaterais. Ele também afirmou que, a partir do próximo ano, o Brasil terá um presidente capaz de negociar em “igual para igual” com os Estados Unidos, sem a ameaça de tarifas sobre a mesa.

Em paralelo à ação de Flávio Bolsonaro, o Itamaraty informou o envio de uma observadora da Embaixada do Brasil em Washington para acompanhar as sessões da USTR, ressaltando que a audiência não é um canal formal de negociação, mas um espaço para ouvir representantes da sociedade civil e do setor produtivo. As tratativas oficiais continuam sendo conduzidas por vias diplomáticas, com o governo brasileiro buscando uma nova rodada de negociações antes de 15 de julho, data prevista para a decisão americana sobre a eventual aplicação das tarifas. A audiência, considerada a última etapa pública da investigação comercial antes dessa decisão, contou com a participação de diversos setores brasileiros e americanos, incluindo o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

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