Uma prática pouco conhecida do Google Chrome tem gerado discussões na internet nos últimos dias: a capacidade do navegador de baixar e instalar um modelo de inteligência artificial (IA) nos computadores dos usuários sem autorização explícita. Essa ferramenta, conhecida como Gemini Nano, pode ocupar aproximadamente 4 GB de armazenamento no dispositivo. A situação levanta questões sobre a autonomia do usuário na gestão de recursos do seu equipamento e a forma como novas tecnologias são integradas aos softwares cotidianos.
A descoberta foi feita pelo cientista da computação e advogado sueco That Privacy Guy, que detalhou o processo em seu blog pessoal. A informação repercutiu e foi amplamente divulgada por sites especializados em tecnologia, como o CNET. Segundo That Privacy Guy, o download do Gemini Nano ocorre quando os recursos de IA do Google Chrome estão ativados, sendo que essas funções vêm ligadas por padrão nas versões mais recentes do navegador. A instalação automática afeta computadores compatíveis que rodam a versão 147 do Google Chrome ou superior.
Procurado, o Google explicou que o Gemini Nano, integrado ao Chrome desde 2024, é um “modelo leve de processamento no dispositivo (on-device)”. A empresa afirmou que ele viabiliza recursos de segurança essenciais, como a detecção de golpes, e APIs para desenvolvedores, sem a necessidade de envio de dados para a nuvem. Além das funcionalidades de segurança, a gigante tecnológica indicou em sua central de ajuda que os modelos de IA generativa são empregados em assistências para escrita, reformulação de textos, alertas de fraudes, resumos de páginas e organização de abas, exigindo o armazenamento local para operarem diretamente no computador do usuário.
Apesar de requerer espaço de armazenamento local, o Google garantiu que o modelo é desinstalado automaticamente caso o dispositivo apresente escassez de recursos. Em resposta à repercussão, a empresa informou que, a partir de fevereiro, iniciou o rollout de uma funcionalidade que permite aos usuários desativar e remover o modelo com facilidade diretamente nas configurações do Chrome. Para desativar o Gemini Nano, o usuário deve abrir o Google Chrome, acessar o ícone de três pontos no canto superior direito para ir em “Configurações”, selecionar a opção “Sistema” e, por fim, desativar a função “IA do dispositivo” (On-device AI). Uma vez desabilitado, o Google assegura que “o modelo não realizará novos downloads ou atualizações”.
A iniciativa do Google em integrar recursos de inteligência artificial diretamente no navegador demonstra a crescente tendência de personalizar e otimizar a experiência do usuário. Contudo, a instalação discreta da tecnologia ressalta a importância da transparência e do controle do usuário sobre os softwares instalados em seus dispositivos. Com a disponibilização de um método claro para desativar o Gemini Nano, o Google busca equilibrar a inovação tecnológica com a demanda por maior controle e privacidade por parte dos usuários de seus serviços.



