Flórida solicita prisão de Raúl Castro por ataque aéreo de 1996 contra organização de resgate

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Créditos/Reprodução Internet

A Promotoria do estado da Flórida apresentou, nesta segunda‑feira (19/10/2026), um mandado de prisão contra Raúl Castro, ex‑presidente de Cuba, acusando‑o de conspiração para homicídio em primeiro grau pelo abate de duas aeronaves civis da organização Hermanos al Rescate, em 1996. O procurador‑geral da Flórida, James Uthmeier, afirmou que o ex‑líder cubano teria ordenado o assassinato de quatro moradores da Flórida a sangue‑frio e que o estado “nunca deixará de buscar justiça”.

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Segundo a denúncia, em 24 de fevereiro de 1996, três Cessnas desarmados decolaram do Aeroporto de Opa‑Locka, no condado de Miami‑Dade. Enquanto ainda estavam em águas internacionais, dois caças MiG cubanos dispararam mísseis ar‑ar, derrubando duas das aeronaves e provocando a morte dos quatro ocupantes. A terceira aeronave, pilotada por José Basulto, líder da Hermanos al Rescate, conseguiu escapar por pouco.

Na época dos fatos, Raúl Castro, então ministro da Defesa de Cuba, teria autorizado o ataque, de acordo com a acusação. As autoridades americanas alegam que as aeronaves não receberam aviso prévio e que mantinham contato com o controle de tráfego aéreo de Havana, o que inviabilizaria qualquer justificativa de legítima defesa.

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Investigadores apontam ainda que agentes da Diretoria de Inteligência cubana, integrantes da chamada Rede Vespa, infiltraram‑se na Hermanos al Rescate nas áreas de Miami e nos Cayos da Flórida, repassando informações sobre os planos de voo às forças cubanas. A acusação sustenta que esses elementos permitiram a coordenação do abate.

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Raúl Castro assumiu a Presidência de Cuba em 2006, sucedendo o irmão Fidel, e manteve‑se no cargo até 2018, quando transferiu o poder ao aliado Miguel Díaz‑Canel. Embora tenha deixado o posto de primeiro‑secretário do Partido Comunista em 2021, analistas acreditam que ele ainda exerce influência nos bastidores da política cubana, reforçada pela projeção de seu neto, Raúl Guillermo Rodríguez Castro, em círculos próximos ao poder.

O procurador federal do Distrito Sul da Flórida, Jason Reding Quiñones, declarou que o governo federal “está ao lado da Flórida na busca por justiça para os quatro cidadãos americanos mortos na derrubada” das aeronaves. Ele ressaltou que a acusação federal, formalizada em maio deste ano, inclui também crimes de destruição de aeronave.

Miguel Díaz‑Canel, presidente cubano, classificou a denúncia como “manobra política” destinada a justificar uma suposta agressão militar contra Cuba. O dirigente cubano acusou os Estados Unidos de mentir e manipular os acontecimentos relativos ao incidente de 1996.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem ameaçado ações militares contra Cuba desde que, em janeiro, forças americanas capturaram o ex‑presidente venezuelano Nicolás Maduro, aliado histórico de Havana. A Casa Branca, em resposta, impôs um bloqueio que interrompeu o fornecimento de combustíveis à ilha, gerando apagões, escassez de alimentos e grave crise econômica.

Uthmeier explicou que o mandado de prisão limitará a capacidade de Raúl Castro de deixar a ilha e impedirá sua entrada em países que mantenham acordos de extradição com os EUA. No entanto, permanece incerto se o ex‑líder cubano algum dia será apresentado perante um tribunal para responder às acusações.

A acusação da Flórida baseia‑se em documentos federais que também apontam a participação de agentes cubanos na infiltração de redes de resgate e na transmissão de informações estratégicas. As autoridades americanas afirmam que a ação judicial visa garantir que os responsáveis pelos assassinatos sejam responsabilizados, independentemente de sua posição ou idade.

A comunidade internacional acompanha o caso com atenção, pois ele pode estabelecer precedentes sobre a responsabilização de ex‑chefes de Estado por atos cometidos décadas atrás. Enquanto isso, a população cubana continua a enfrentar as consequências do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos.

(AP, DW)

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