Flávio Bolsonaro faz acusações sem provas a Lula no debate da Globo e checagem desmonta afirmações

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Créditos/Reprodução Internet

No segundo bloco do debate transmitido pela TV Globo, nesta sexta‑feira (23), o senador Flávio Bolsonaro (PL) lançou uma série de acusações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sem apresentar evidências. Uma checagem posterior demonstrou que as declarações do candidato continham informações fora de contexto e, em alguns casos, eram factualmente incorretas.

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Ao afirmar “Agora, Lula, o que você levou para o Nordeste foi o Comando Vermelho”, Flávio vinculou a presença da facção ao governo petista. A frase, porém, não foi acompanhada de provas e ignora registros de atuação da organização na região que datam de antes do atual mandato. No Ceará, por exemplo, acordos entre grupos criminosos nos presídios foram documentados em 2015 e 2016, antecedendo o início da gestão de Lula.

Sobre a transposição do Rio São Francisco, o senador atribuiu a conclusão das obras ao seu pai, Jair Bolsonaro, e a chegada da água ao Nordeste ao atual governo. A realidade é mais complexa: o projeto foi iniciado nos governos de Lula e avançou em diferentes etapas. Michel Temer inaugurou o Eixo Leste em 2017, garantindo água à Paraíba, enquanto o governo Bolsonaro entregou o Eixo Norte, que levou água ao Ceará em 2020.

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Na discussão do Bolsa Família, Flávio voltou a responsabilizar o pai pelo pagamento de um benefício mínimo de R$ 600. Esse valor foi efetivamente pago apenas entre agosto e dezembro de 2022, durante a gestão Bolsonaro, e tinha caráter temporário. A proposta orçamentária enviada por Jair Bolsonaro para 2023 previa um benefício de R$ 400. O piso permanente de R$ 600 foi instituído no governo Lula, por meio da Lei 14.601/2023.

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O senador também acusou Lula de não ter feito nada para reduzir as dívidas das santas casas. A afirmação desconsidera programas de acesso a crédito com recursos do FGTS e a iniciativa que permite a hospitais converter dívidas tributárias em atendimentos ao SUS. Embora tais medidas não eliminem o subfinanciamento das instituições, contradizem a alegação de ausência total de ação federal.

Ao retratar o cenário de consumidores sem dinheiro para comprar, Flávio omitiu o crescimento acumulado do varejo. Dados do IBGE citados na checagem mostram que as vendas avançaram 1,7 % em 2026 até agosto, ainda que alguns setores, como móveis e eletrodomésticos, tenham apresentado perda de ritmo. O candidato ainda responsabilizou Lula pelo endividamento das famílias, sem levar em conta o patamar anterior ao atual mandato. O Banco Central indica que a dívida das famílias correspondia a 49,1 % da renda em dezembro de 2022 e a 49,9 % em julho de 2026; sem o financiamento habitacional, o indicador passou de 31,2 % para 30,8 %.

Em relação aos juros, Flávio apresentou uma projeção de mercado de 2022 como se dependesse da permanência de Bolsonaro na Presidência. As estimativas do boletim Focus refletem expectativas de analistas, não garantias condicionadas à vitória de um candidato. Além disso, o senador não especificou se a queda de “2 %” nos juros futuros referia‑se a pontos percentuais ou a percentuais absolutos.

Por fim, o candidato misturou indicadores ao citar um recorde de “mulheres assassinadas”. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública registra recorde de feminicídios em 2025, com 1 571 vítimas, mas indica queda no total de homicídios de mulheres, de 3 934 em 2022 para 3 539 em 2025. O feminicídio integra esse total, porém não corresponde a todas as mortes violentas de mulheres.

A checagem, realizada em tempo real, evidencia que as falas de Flávio Bolsonaro no debate continham distorções e omissões que podem confundir o eleitorado, reforçando a importância da verificação de fatos em momentos de campanha.

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