A orientação divulgada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) para que integrantes do “Exército do Lula” pesquisassem a expressão ‘Bolsonaro e Talvane Albuquerque’ fez o termo ganhar expressivo destaque nos mecanismos de busca do Google nesta quinta-feira (22). A mobilização digital resgatou um episódio da história política de Alagoas no qual Jair Bolsonaro figurou entre os poucos parlamentares que votaram contra a perda do mandato de Albuquerque, político posteriormente condenado a 103 anos de reclusão por assassinato.
O caso remonta a 7 de abril de 1999, data em que o plenário da Câmara dos Deputados deliberou acerca da cassação do suplente Talvane Albuquerque, acusado na ocasião de ter sido o mandante do homicídio da deputada titular Ceci Cunha, ocorrido em 16 de dezembro de 1998. Na votação, o mandato de Albuquerque foi cassado por 427 votos favoráveis, enquanto Jair Bolsonaro integrou o restrito grupo de 29 parlamentares que se posicionaram pela manutenção do cargo do colega.
Naquele momento, o assassinato em si não consistiu no motivo formal da cassação, visto que a condenação judicial de Albuquerque só ocorreu anos mais tarde. O cancelamento do mandato deu-se por quebra de decoro parlamentar fundamentada em diversos elementos, incluindo a proximidade do suplente com o pistoleiro Maurício Guedes, conhecido como “Chapéu de Couro”. O próprio deputado confirmou na Câmara que sabia da intenção de assassinato de outros colegas e que prestava auxílio à família do criminoso.
A tragédia que motivou as investigações ocorreu em Maceió, onde Ceci Cunha foi brutalmente executada ao lado do marido e de outros dois parentes. O Ministério Público apontou Talvane Albuquerque, primeiro suplente da parlamentar, como o mandante da chacina movido pelo interesse direto em assumir a vaga titular na Câmara Federal, crime pelo qual acabou recebendo a pena de 103 anos de prisão da Justiça.
O assunto voltou ao debate público contemporâneo em virtude de conexões entre a família Bolsonaro e outra personagem ligada ao entorno da vítima. A vice-governadora eleita Célia Rocha, que era amiga próxima de Ceci Cunha, declarou apoio público à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, trazendo novamente o episódio histórico ao centro dos holofotes.

