Polícia Federal aponta recebimento de propina mensal por Ciro Nogueira

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Créditos: Imagem/Divulgação

A Polícia Federal (PF) afirma que o senador Ciro Nogueira, do Progressistas, recebia R$ 500 mil por mês do banqueiro Daniel Vorcaro, além de outras vantagens econômicas como viagens internacionais e despesas em hotel de luxo. A investigação indica uma troca de interesses financeiros indevidos, na qual Ciro Nogueira teria atuado no Senado em favor dos interesses privados de Vorcaro. Uma operação policial, autorizada pelo ministro André Mendonça, foi deflagrada na quinta-feira (7) como parte das apurações.

A decisão de André Mendonça que autorizou a ação reúne indícios e provas colhidas pela Polícia Federal sobre a suposta conduta do senador em benefício de Daniel Vorcaro, em troca de vantagens financeiras indevidas. O material investigativo é resultado da análise de um celular de Daniel Vorcaro apreendido em novembro de 2025, além de documentos de fases anteriores. A Procuradoria-Geral da República (PGR) justificou a necessidade da operação da quinta-feira (7) para evitar que Ciro Nogueira utilizasse sua rede de influência para destruir provas ou intimidar testemunhas, uma vez que é indicado como “destinatário central das vantagens indevidas”.

Entre as vantagens supostamente recebidas por Ciro Nogueira, a PF enumerou pagamentos mensais que variavam de R$ 300 mil a R$ 500 mil. Esses valores teriam sido repassados por meio de empresas administradas por parentes do senador e de Vorcaro, como a BRGD, uma empresa com sede em Minas Gerais que tinha um tio de Daniel Vorcaro como diretor e teria sido criada especificamente para os pagamentos. Mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e seu primo, Felipe Vorcaro, indicam a manutenção e a preocupação com a continuidade desses repasses mensais.

Além das mesadas, a investigação aponta que Daniel Vorcaro custeou viagens internacionais para o senador, incluindo hospedagens em hotéis de luxo como o Park Hyatt New York, despesas em restaurantes de alto padrão e até a disponibilização de um cartão para cobertura de gastos pessoais de Ciro Nogueira e sua acompanhante, Flávia. Outra forma de vantagem indevida mencionada foi a transferência de participação societária em empresas ligadas a Daniel Vorcaro a valores muito abaixo do mercado, onde ações avaliadas em R$ 13 milhões teriam sido adquiridas pela empresa administrada pelo irmão de Ciro Nogueira por R$ 1 milhão.

Em troca das vantagens, Ciro Nogueira teria instrumentalizado seu mandato parlamentar em favor dos interesses de Daniel Vorcaro. Um dos exemplos citados é a apresentação de uma emenda, em 13 de agosto de 2024, a uma proposta que tramitava no Congresso. A emenda, que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para R$ 1 milhão por depositante, beneficiaria diretamente o Banco Master. A Polícia Federal afirma que o texto da emenda foi elaborado pela assessoria do Banco Master, encaminhado a Daniel Vorcaro e, posteriormente, entregue a Ciro Nogueira, sendo reproduzido integralmente pelo parlamentar. Após a publicação da emenda, Vorcaro teria comemorado dizendo: “Saiu exatamente como mandei”. O advogado de Ciro Nogueira, Antônio Carlos de Almeida Castro, negou o recebimento de pagamentos e classificou as buscas como invasivas, expressando perplexidade por uma medida cautelar baseada em celulares de terceiros. O ministro André Mendonça proibiu Ciro Nogueira de manter contato com os outros investigados na Operação Compliance Zero.

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