O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou ao atacante Richarlison imagens de um contrato mantido sob sigilo relativo à disputa por uma mansão avaliada em R$ 10 milhões, localizada em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. A abordagem ocorreu via Instagram no mês de julho, logo após o jogador retomar cobranças públicas acerca de um prejuízo financeiro sofrido com o imóvel. No contato, o parlamentar instruiu o atleta a direcionar as exigências ao seu ex-empresário, Renato Rocha Velasco, solicitando ainda o fim da exposição do seu próprio nome no caso.
O documento encaminhado pelo político corresponde a um acerto firmado entre o advogado Willer Tomaz, aliado de Flávio Bolsonaro, e o antigo agente do atleta. Segundo apuração publicada pelo portal Metrópoles, o objetivo do instrumento jurídico era ressarcir a empresa Sport70, sociedade mantida entre Richarlison e Velasco, pelas benfeitorias executadas na residência. O trecho divulgado pelo senador especificava três contas bancárias pessoais de Velasco como destino dos repasses, cujos montantes exatos permanecem em segredo.
Apesar do arranjo contratual, Richarlison sustenta que jamais recebeu os valores devidos e que não deu anuência ao encerramento da disputa judicial. O atacante e Velasco estão com relações rompidas publicamente desde 2024. Anteriormente, a posse da mansão passou para Willer Tomaz no término de um imbróglio nos tribunais, após o atleta já exigir a devolução dos recursos financeiros investidos na propriedade de alto padrão.
A história da ocupação do imóvel remonta à aquisição inicial feita pela Sport70 em parceria com Alencar Silveira Jr., então deputado estadual e ex-presidente do América-MG, que compraram a casa diretamente de um posseiro. Na divisão original dos direitos, Richarlison detinha 50% de participação na propriedade e no custeio das despesas, enquanto os outros 50% dividiam-se igualmente, em cotas de 25%, entre Velasco e o parlamentar mineiro. O ex-empresário teria assinado o termo final tanto em nome próprio quanto como representante legal da empresa conjunta.
Posteriormente, o advogado Willer Tomaz localizou o inventariante de um dos sócios da W Locadora, firma que figurava formalmente como proprietária do imóvel nos registros. Tomaz adquiriu os direitos sobre o bem, obtendo a devida regularização perante a Secretaria do Patrimônio da União durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, para em seguida obter a reintegração de posse outorgada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Conforme dados revelados pelo Metrópoles, a ação principal movida pela Sport70 terminou no decorrer deste ano em razão da desistência formal da empresa.
Em declaração prestada ao veículo de imprensa, Willer Tomaz asseverou que Richarlison nunca fez parte do processo judicial, figurando na ação apenas a empresa Sport70, sob a administração de Velasco. O advogado detalhou ter sido procurado pelo ex-agente para estruturar a negociação, ocorrendo os contatos iniciais por intermédio de um advogado e, mais tarde, presencialmente. Já a equipe de campanha de Flávio Bolsonaro, ao ser questionada pela reportagem, afirmou categoricamente que o senador jamais integrou o polo da ação e negou qualquer participação em compra, venda ou intermediação imobiliária ligada ao caso.

