Coordenadora de Flávio Bolsonaro defende inteligência artificial no lugar de servidores aposentados

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Créditos/Reprodução Internet

A economista Daniella Marques, coordenadora da área econômica da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro, defendeu que os postos de trabalho deixados por servidores públicos que se aposentam sejam assumidos por sistemas de inteligência artificial em substituição à realização de novos concursos públicos. A declaração foi dada durante entrevista concedida ao programa “Pânico”, na segunda-feira (19).

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Ao apresentar a proposta de colocar a inteligência artificial como alternativa para a contratação de pessoal efetivo, a conselheira não detalhou o volume de vagas que deixaria de ser reposto, quais carreiras específicas seriam afetadas pela mudança ou a maneira como a administração pública manteria a prestação de serviços à população.

Na mesma data da declaração de Daniella, o presidente da Argentina, Javier Milei, divulgou um plano voltado ao corte de mais 20 mil postos na administração pública do país vizinho, somando-se aos mais de 77 mil cargos já eliminados por sua gestão desde dezembro de 2023. O senador brasileiro visitou o líder argentino em junho e registrou o encontro em suas redes sociais com a frase: “Se na Argentina teve motosserra, no Brasil terá tesouraço”.

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Alinhado a essa orientação, o parlamentar passou a utilizar um broche no formato de tesoura, enquanto seus assessores econômicos citam as iniciativas adotadas na Argentina como referência. De acordo com os preceitos constitucionais brasileiros, o chefe do Executivo dispõe de prerrogativa para extinguir, mediante decreto, os cargos públicos que se encontram vagos, embora a legislação impeça o encerramento unilateral de postos ocupados sem o devido aval do Congresso Nacional.

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Esse tipo de mecanismo já havia sido acionado no governo de Jair Bolsonaro em 2019, quando um decreto extinguiu tanto as vagas não preenchidas no momento quanto aquelas que ficassem desocupadas posteriormente. O arranjo combina a não reposição de aposentados à posterior supressão formal dos postos na estrutura do funcionalismo.

Conforme apuração divulgada pelo Correio Braziliense, o senador Flávio Bolsonaro organiza um acervo com mais de 200 decretos para eventual mandato presidencial. O pacote prevê a supressão de vagas abertas, a anulação de normas implementadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva e imposições de limites à fiscalização ambiental em terras privadas, sendo que parte das propostas exige a aprovação do Poder Legislativo.

Antes de atuar na coordenação de Flávio, Daniella Marques fez parte da equipe do ex-ministro da Economia Paulo Guedes durante a gestão Bolsonaro. Em 2020, Guedes referiu-se aos servidores públicos como “parasitas”, declaração que resultou em sua condenação em primeira instância ao pagamento de R$ 50 mil a título de danos morais coletivos.

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