Influenciadora digital Mariana Alves, de 22 anos, conhecida como Malévola, divulgou nesta quinta‑feira (22 de outubro) no TikTok detalhes de sua prisão em Alexandria, Egito, onde foi submetida a inspeção íntima, teve os celulares apreendidos e sofreu assédio sexual, tudo após autoridades investigarem vídeos gravados em espaços públicos.
A detenção ocorreu no dia 20 de outubro, quando Malévola e a amiga Bruna Mercatelli, ambas mulheres trans, participavam de um passeio guiado em Alexandria, contratado pela plataforma GetYourGuide. O grupo reunia cinco brasileiros e turistas de outras nacionalidades; durante o trajeto, policiais invadiram a van e conduziram as duas influenciadoras à delegacia.
Ao chegar à delegacia, os agentes questionaram se eram transexuais. Malévola respondeu que não, alegando que precisava proteger sua integridade: “Eu falei não. Eu tive que falar isso para a minha segurança, eu não sei o que poderia acontecer comigo”. Os celulares das duas foram confiscados e permaneceram sem contato com familiares ou amigos por mais de 24 horas, sem água nem alimentação.
O relato indica que foram encaminhadas a três delegacias distintas ao longo de mais de oito horas. “A gente chegou na polícia às quatro da tarde. Já era meia‑noite e a gente ainda não havia sido liberada”, afirmou. Durante esse período, a situação só começou a melhorar após a inspeção que confirmou que Malévola havia passado por cirurgia de redesignação sexual.
A inspeção íntima consistiu em obrigá‑las a permanecer nuas para que os policiais verificassem seu sexo biológico. “Eu tive que ficar pelada pra eles verem se eu era mulher mesmo. Eles viram que eu era mulher, pediram desculpa depois, mas eu me senti um lixo”, declarou a influenciadora.
Com a constatação de que a cirurgia havia sido realizada, o tratamento dos agentes mudou: passaram a oferecer água, comida e adotaram postura mais educada. “Começaram a dar comida, começaram a dar água, começaram a ser mais educados”, relatou.
A libertação ocorreu após o pagamento de fiança, permitindo que Malévola retornasse ao Brasil ainda na quarta‑feira (21 de outubro). A defesa confirmou que a influenciadora foi solta e já está em processo de retorno ao país.
Além da inspeção, Malévola denunciou assédio sexual ao longo de toda a viagem. “Eu fui abusada desde o primeiro dia que a gente chegou no Cairo”, contou, acrescentando que homens abordavam a ela e à amiga nas ruas, tentando tocar o peito e, no dia da prisão, a vagina. Quando tentou acionar a polícia, nada foi feito.
Os vídeos que motivaram a investigação, segundo a influenciadora, foram gravados com consentimento de todos os participantes. “Os homens que estavam participando eram homens que queriam aparecer. Todos os Ubers que a gente gravou brincando, dançando dentro do carro, eles permitiram a gravação, estava todo mundo se divertindo.” O Ministério do Interior do Egito abriu investigação sobre as gravações em espaços públicos de Alexandria, classificando‑as como de teor sexual.


