O ator Lima Duarte, de 96 anos, gerou ampla polêmica com uma declaração durante a cerimônia de premiação da Associação Paulista de Críticos da Arte (APCA). O incidente ocorreu no evento, onde o veterano artista era homenageado por sua extensa trajetória na televisão brasileira. A fala, considerada controversa, desencadeou acusações de racismo e um notável constrangimento entre os presentes.
Durante seu discurso de agradecimento, Lima Duarte compartilhou uma memória de sua juventude, remontando a quando tinha 15 anos. Ele relatou ter recusado um convite de um colega para visitar uma área de São Paulo conhecida pela prostituição, justificando a recusa com a afirmação de que no local “só tinha preta”. Esta recordação, proferida em um palco de reconhecimento artístico, foi o epicentro da controvérsia.
A declaração de Lima Duarte provocou uma reação imediata na plateia da APCA. Segundo relatos de quem estava presente, houve um desconforto generalizado, resultando em um silêncio constrangedor. Diante da repercussão negativa, o ator se manifestou, negando veementemente as acusações de racismo. Ele afirmou que não era essa a sua intenção ao fazer o relato.
Em resposta ao mal-estar gerado, a atriz Shirley Cruz, uma das premiadas da noite, utilizou seu momento no palco para abordar o tema. Ela enfatizou a jornada das mulheres negras, que historicamente enfrentaram rejeição, mas hoje alcançam reconhecimento e são premiadas em grandes eventos e espaços. Posteriormente, em nota, Lima Duarte esclareceu que sua fala se tratava de uma memória de juventude e que a utilizou como uma forma de protesto sobre as condições daquele tempo, reiterando a negativa de racismo.
A controvérsia ressalta a importância da legislação brasileira sobre racismo. A Lei 7.716/89, conhecida como Lei do Racismo, tipifica e pune toda forma de discriminação ou preconceito por origem, raça, sexo, cor ou idade. Seus artigos 3º e 4º preveem penas de dois a cinco anos de reclusão para condutas que impeçam ou dificultem o acesso a cargos ou empregos por motivação preconceituosa. O caso de Lima Duarte, um ator com uma vasta e aclamada carreira, incluindo papéis icônicos como o de Sinhozinho Malta em “Roque Santeiro”, destaca o debate contínuo sobre racismo estrutural e a responsabilidade da linguagem em espaços públicos.



