Davi Alcolumbre, presidente do Senado (União Brasil‑AP), pretende articular um indulto ou uma anistia ao ex‑presidente Jair Bolsonaro (PL), preso desde agosto de 2025 por participação em tentativa de golpe de Estado, como forma de garantir apoio da direita à sua candidatura à presidência da Casa em 2027.
O senador indica que buscará conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para defender um indulto humanitário a Bolsonaro, a quem chamou de proposta de “pacificação do país” entre os três Poderes após a eleição presidencial. O tema, porém, não foi incluído na primeira reunião entre Lula e Alcolumbe, realizada nesta segunda‑feira (26) logo após a votação presidencial.
Alcolumbe afirmou que aguardará a estabilização do ambiente político antes de procurar o presidente, ressaltando que a concessão do indulto depende exclusivamente da decisão do chefe do Executivo. Aliados acrescentam que o plano também está condicionado aos desdobramentos da saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil.
Caso Lula rejeite o indulto, o presidente do Senado pretende trabalhar pela aprovação de uma anistia no Congresso. A oposição havia cobrado a votação de uma anistia durante a legislatura atual, mas Alcolumbe propôs uma alternativa que reduz as penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.
O Congresso aprovou essa regra no fim do ano passado, durante o julgamento de Bolsonaro e outros integrantes da trama golpista no STF. O ministro Alexandre de Moraes suspendeu a lei em maio, aguardando decisão do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre sua constitucionalidade.
Um aliado de Alcolumbe avalia que o reconhecimento da validade da dosimetria ajudaria a reduzir a tensão entre os bolsonaristas antes de uma negociação mais ampla. O grupo pretende limitar os efeitos de uma eventual anistia à esfera penal, sem restituir a Bolsonaro o direito de disputar eleições; o ex‑presidente está inelegível até, no mínimo, 2060, embora juristas diverjam quanto ao alcance eleitoral de uma anistia.
Em contrapartida ao indulto ou à anistia, Alcolumbe busca o compromisso de parlamentares de direita para abandonar a pressão pelo impeachment de ministros do STF e concentrar a discussão em uma reforma do Judiciário. Pelo menos 49 dos 81 senadores da próxima legislatura defendem o afastamento de magistrados, embora o processo exija 54 votos para ser aprovado.
Alcolumbe disputará a presidência do Senado contra Rogério Marinho (PL‑RN) e Tereza Cristina (PP‑MS). O PL deverá contar com 29 senadores na nova composição, o Novo com três cadeiras, enquanto PP e Republicanos tendem a ficar mais próximos da oposição do que do governo.

