A exportação da cultura: Como a identidade brasileira virou ativo estratégico no mercado musical

3 Min de Leitura
Foto/Divulgação

A indústria da música internacional vive uma mudança de paradigma: a transição de um mercado dominado por referências anglo-saxônicas para uma era em que a identidade cultural local é o principal motor de consumo global. Segundo Giovanna Khair Cunha, estrategista que atua na intersecção entre os mercados brasileiro e latino-americano, essa não é apenas uma tendência passageira, mas uma reestruturação profunda de como artistas constroem comunidades.

- Publicidade -


O sucesso de fenômenos como “Gata Only”, de FloyyMenor, aponta para uma estratégia clara: o uso de dados aliado a uma narrativa de marca que preserva a autenticidade regional. Ao observar o crescimento da música latina e a penetração do funk e do pop brasileiro no exterior, nota-se que o público global não busca mais apenas o som, mas o estilo de vida — o lifestyle — que o artista carrega. É nesse cenário que o trabalho de bastidor se torna tão relevante quanto a composição em si.


A experiência prática de Giovanna Khair Cunha, que hoje colabora com nomes fundamentais da indústria como Emilio Estefan, reforça que a gestão de imagem na era digital não permite mais o distanciamento entre o ídolo e o público. Para a estrategista, o segredo da internacionalização está na capacidade de “traduzir” códigos culturais sem diluir a essência original. Ela aponta que projetos que levam a cultura brasileira para o exterior, como o movimento estudantil e artístico em Boston, demonstram que existe uma demanda reprimida por conteúdos que fujam do óbvio, desde que apresentados com excelência executiva.


Essa visão de mercado, que une a curadoria artística à precisão do marketing de dados, é o que define o novo modelo de music business. Seja na condução de grandes campanhas ou no posicionamento de figuras históricas da música, o desafio da nova geração de gestores é claro: manter o frescor da criação artística enquanto se navega pelas complexas exigências da escala global. O resultado, como observado nos últimos ciclos de lançamentos, é a prova de que a música brasileira, quando operada com estratégia profissional, possui um valor cultural incalculável e um alcance comercial que ultrapassa qualquer barreira linguística.

Giovanna Khair Cunha, estrategista que atua na intersecção entre os mercados brasileiro e latino-americano
Giovanna Khair Cunha, estrategista que atua na intersecção entre os mercados brasileiro e latino-americano
Compartilhe este artigo