Dos 31 senadores eleitos que defendem o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), 16 são investigados ou aparecem citados em apurações em curso, segundo a coluna de Andreza Matais no Metrópoles. Parte dos casos já tramita na Corte; outros podem chegar ao STF após a posse dos novos parlamentares.
A próxima composição do Senado reúne, até o momento, ao menos 50 nomes favoráveis ao impeachment de integrantes do Supremo. A abertura de um processo exige 54 votos e depende da decisão do presidente da Casa, que analisa os pedidos contra ministros.
Na terça‑feira (6), o senador Rogério Marinho (PL‑RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro e cotado para a presidência do Senado, reuniu‑se com o presidente do STF, Edson Fachin. Após o encontro, Marinho afirmou que a Casa “não vai se omitir” diante de eventual crime de responsabilidade de um ministro. Marinho foi condenado em primeira instância, em junho de 2023, por contratação de funcionária fantasma quando era vereador em Natal. Ele nega irregularidades e alega que a servidora era médica que atendia a população fora do gabinete; o recurso tramita no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJ‑RN).
Os casos envolvem emendas, inquéritos e denúncias que também citam Michelle Bolsonaro e Bia Kicis.
A bancada eleita também pretende alterar a Lei do Impeachment de 1950. Em dezembro passado, o ministro Gilmar Mendes modificou a aplicação da norma para processos contra ministros do STF e, posteriormente, reviu parte da decisão, retirando o trecho que atribuía exclusivamente ao procurador‑geral da República a iniciativa para denunciar integrantes da Corte.
Senadores citados em investigações
– Bia Kicis (PL‑DF) – sua emenda de R$ 250 mil ao Instituto Viver Brasil aparece no caso “Dark Horse”, sob relatoria de Flávio Dino.
– Carlos Bolsonaro (PL‑SC) – tem investigação reaberta pelo Ministério Público do Rio (MP‑RJ) sobre suspeita de “rachadinha”.
– Carlos Jordy (PL‑RJ) – foi alvo da Operação Galho Fraco, da Polícia Federal, que apura suposto desvio de recursos da cota parlamentar.
– Carol de Toni (PL‑SC) – foi citada na decisão que abriu o inquérito das milícias digitais, ainda sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
– Filipe Barros (PL‑PR) – aparece no Inquérito das Fake News.
– Michelle Bolsonaro (PL‑DF) – foi citada em relatório da Polícia Federal que indiciou Flávio Bolsonaro por suspeitas de coação e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Ela não é investigada no caso, mas os investigadores apontaram repasses a Michelle e a Heloísa Bolsonaro que somam R$ 2,2 milhões, analisando se as movimentações ocultaram a origem e o destino dos valores.



