Na noite de segunda‑feira, 19, durante um comício republicano em Wichita, Kansas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou o palco para se vangloriar de conhecimentos que vão desde a identificação de animais até resultados de avaliações cognitivas. O discurso, que se deu em meio à campanha das eleições de meio de mandato, foi marcado por afirmações sobre sua performance em testes de raciocínio e memória.
Trump descreveu, em tom de demonstração, um exercício cognitivo que lhe foi proposto: “Dividir um número por três, dobrá‑lo, subtrair 400, somar 293, dividir por sete”. Em seguida, relembrou um outro teste que consistia em cinco palavras, segundo o relato do presidente: “O médico disse: ‘Bem, senhor, aqui está o problema. Se o senhor se sair bem, ótimo. Se o senhor se sair mal, vai ser uma grande notícia’. E nenhum outro presidente quis fazer isso”.
De acordo com o jornal Metro, Trump afirma ter acertado o teste cognitivo seis vezes, frequência que ele considera elevada, já que o padrão costuma ser de um a três anos entre avaliações. O presidente também destacou que tirou “10” no teste, equivalente a acertar as 30 questões da Avaliação Cognitiva de Montreal (MoCA), o que, segundo especialistas, indica apenas função cognitiva normal, não genialidade ou QI elevado.
Em seguida, o mandatário trouxe à baila uma pergunta aparentemente simples: “Eles mostram um leão, um urso, uma cobra e uma girafa. E perguntam: ‘Qual deles é a girafa?'”. Trump afirmou ter respondido corretamente, acrescentando que “os farsantes” costumam exibir a mesma questão, mas que “nenhuma dessas pessoas conseguiu chegar perto de tirar a pontuação máxima. Mas eu tirei três vezes. Tirei a pontuação máxima”.
A autoconfiança de Trump em relação ao teste cognitivo foi reforçada por postagens na rede social Truth Social, onde, em maio, ele declarou: “Ao contrário de outros presidentes dos EUA, nenhum dos quais jamais se submeteu a um teste cognitivo aprovado e de alta dificuldade, eu obtive a pontuação máxima de 30 em 30”. A declaração foi feita logo após a realização do exame no Centro Médico Militar Nacional Walter Reed.
O discurso de Trump, ao combinar curiosidades sobre fauna com detalhes de avaliações neuropsicológicas, reflete sua estratégia de usar eventos de campanha para reforçar a imagem de vigor mental e domínio de assuntos variados, ainda que as interpretações de especialistas sobre os resultados citados sejam mais cautelosas.

