Regina Casé lamenta morte de amiga Dona Matilde, a Matildinha de Omolu, aos 102 anos

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Créditos/Reprodução Internet

Regina Casé lamentou nesta quarta‑feira, 21 de outubro, a morte da amiga de longa data Dona Matilde, conhecida como Matildinha de Omolu, aos 102 anos, ao publicar uma homenagem nas redes sociais. A atriz recordou a relação de afeto construída ao longo de décadas com a centenária, que dedicou grande parte da vida à espiritualidade e ao cuidado da família de Regina.

Dona Matilde distribuía banhos de pipoca na porta da Igreja de São Lázaro, no Alto da Federação, em Salvador, prática que, segundo as religiões de matriz africana, serve como banho de cura e limpeza. “Dona Matilde, minha Matildinha, hoje com 102 anos, se encantou. Fico imaginando a chegada dela no Orum, aquela chuva de pipoca, e todo mundo que ela cuidou a vida toda agradecendo tanto amor, tanto axé, tanto cuidado”, escreveu a atriz.

Regina explicou que seu pai, Geraldo Casé, faleceu há 18 anos, aos 80 anos, após luta contra câncer nas vias biliares. “No hospital do Rio de Janeiro, ele recebia pipoca que ela mandava da Bahia. Porque o banho de pipoca, nas religiões de matriz africana, é um banho de cura, de limpeza, para afastar doença”, destacou.

A homenagem também mencionou o carinho de Matilde pelos filhos de Regina, Benedita, de 37 anos, e Roque, de 13, além do neto Brás, de 9. “É muito lindo pensar que o Brás, o Roque e a Benedita sempre foram cuidados por ela, desde pequenos. Aproveitamos muito esse amor, essa amizade”, declarou.

Regina recordou momentos especiais, como a festa dos 100 anos de Dona Matilde, quando a amiga pediu música ao vivo para dançar durante toda a comemoração. “Nunca vou me esquecer que, no seu aniversário de 100 anos, o presente que ela me pediu foi ‘Regis, meu amor, eu quero um som ao vivo pra eu dançar o tempo todo na festa'”, lembrou.

A atriz ainda relembrou as mensagens diárias que recebia em vídeo: “E aí, Regis, tá tudo bem por aí? Omulu que lhe abençoe e cuide”. Segundo Regina, as fotos enviadas pela amiga eram “a coisa mais linda do mundo”.

Ao encerrar a homenagem, Regina ressaltou que a ausência de Dona Matilde representa a saudade de um modo de viver marcado pela fé, generosidade e cuidado com o próximo. “A saudade que vou sentir da Matilde não é só de uma pessoa que dedicou sua vida a Omulu e levava seu tabuleiro de pipoca para a Igreja de São Lázaro há mais de 50 anos, como uma filha dedicada desse nosso pai. A falta que eu vou sentir é de um Brasil, de um mundo que cada vez sinto mais distante”, escreveu.

Concluiu desejando que a amiga, de onde estiver, continue protegendo e indicando caminhos de axé e bondade: “Que lá de cima ela possa nos proteger e indicar os caminhos de axé e de bondade para que a gente siga acreditando. Viva Dona Matilde, meu amor!”

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