Uma sequência incomum de rajadas de vento que sopram de Oeste para Leste no Oceano Pacífico Equatorial, conhecidas como westerly wind bursts, está intensificando o fenômeno El Niño a patamares sem precedentes. De acordo com análises da MetSul Meteorologia, esses ventos vêm enfraquecendo os ventos alísios regulares e empurrando grandes massas de água quente pela faixa equatorial em direção à América do Sul. Esse movimento aciona o avanço de ondas oceânicas de Kelvin, as quais aprofundam o salto térmico e impedem que águas mais frias subam à superfície, alimentando continuamente o aquecimento da atmosfera. Paralelamente, informações divulgadas pelo Governo de São Paulo apontam rajadas de vento com início por volta das 14h desta quinta-feira (6), sob previsão de alerta laranja.
Os dados numéricos mapeados ao longo do período comprovam a dimensão expressiva do evento climático. O pulso de vento registrado recentemente se destaca como o mais forte de todo o evento até o momento, marcando o 13º episódio observado durante o ano na região do Pacífico. Com exceção do mês de fevereiro, essas correntes de ar ocorreram em praticamente todos os meses e vêm se concentrando cada vez mais a Leste, afetando de forma direta a região Niño 3.4, considerada a área central para o monitoramento do clima.
Nas profundezas do oceano, a elevação térmica atingiu patamares impressionantes. As medições de aquecimento subsuperficial registraram anomalias de até 12 °C acima da média histórica habitual, enquanto as marcas térmicas brutas da água alcançaram 33,4 °C abaixo da superfície oceânica.
Diante da força do calor acumulado nas profundezas e do sopro constante dos ventos, as estimativas projetam um cenário histórico para as semanas seguintes. As análises indicam que o desvio da temperatura da superfície do mar na faixa Niño 3.4 poderá se aproximar de 4 °C acima do normal entre o final de novembro e o começo de dezembro, consolidando uma combinação atípica que eleva o El Niño a níveis de intensidade extrema.

