Passagem do BTS pelo Brasil destaca expansão e vocabulário próprio da cultura do K-pop

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Créditos/Reprodução Internet

A presença de grandes nomes da música sul-coreana no Brasil atinge um marco importante com a passagem do grupo BTS para três apresentações esgotadas no Estádio do Morumbi, em São Paulo, das quais a segunda ocorre nesta sexta-feira (30). O ciclo de shows no país ao longo do ano inclui ainda passagens de formações como Aespa, Monsta X, Enhypen e Stray Kids, que fez história como o primeiro grupo do gênero a figurar como atração principal do Rock in Rio. O avanço contínuo dessas turnês impulsionou a difusão de um vocabulário próprio nas redes sociais, nos palcos e no cotidiano dos admiradores da cultura pop da Coreia do Sul.

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O ecossistema do gênero é fundamentado na figura do idol, termo que define os artistas que atuam na indústria musical, sejam eles solistas ou integrantes de grupos. Antes do lançamento oficial, conhecido como debut, esses profissionais passam por uma fase de preparação como trainees, período dedicado ao aprendizado de canto, dança, rap, idiomas, atuação e presença de palco. Embora não exista um limite de idade estabelecido para o início dos treinos, candidatos entre 21 e 23 anos costumam ser considerados acima da faixa etária habitual para a estreia. Um exemplo desse processo é a cantora Jihyo, integrante do grupo TWICE, que começou seu treinamento aos oito anos e estreou oficialmente em 2015, aos 18 anos.

A sequência da carreira artística envolve os comebacks, expressão aplicada a cada novo lançamento acompanhado por campanhas de divulgação e apresentações, sem implicar necessariamente um retorno após longo período de afastamento. Cada projeto traz uma title track, a música principal equivalente ao single de trabalho, que geralmente recebe um MV — abreviação de music video —, com produções visuais elaboradas e cenários complexos, como os trabalhos do grupo ATEEZ. As demais canções de um projeto são classificadas como B-sides. Em paralelo, podem surgir sub-units, grupos menores formados dentro de um conjunto principal para explorar novos estilos, a exemplo do 3Racha, composto por Bang Chan, Changbin e Han, membros do Stray Kids.

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Durante as apresentações ao vivo, chamadas de stages, os artistas frequentemente utilizam seus stage names, os nomes artísticos escolhidos para a carreira — como V, integrante do BTS cujo nome de batismo é Kim Taehyung. Na relação entre a comunidade de fãs e os artistas, o integrante favorito é denominado bias, enquanto o membro que ameça assumir esse posto principal é chamado de bias wrecker, termo associado com frequência a Jimin, também do BTS. Eventuais pausas temporárias nas atividades de um grupo são conhecidas como hiatos, ao passo que o encerramento oficial do conjunto é chamado de disband, trajetória vivida por grupos como o 2NE1.

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Nas estruturas organizacionais dos grupos, o membro mais jovem é identificado como maknae. O papel de líder, exercido por RM no BTS, envolve a mediação entre a empresa e os integrantes, além da representação do grupo em entrevistas. O arranjo vocal e de performance divide-se entre main vocal, main dancer — função ocupada por J-Hope no BTS — e main rapper. A posição central nas coreografias e vídeos é atribuída ao center, papel desempenhado por YoonA no Girls’ Generation, enquanto a classificação de visual destaca o membro alinhado aos padrões estéticos sul-coreanos. Artistas que demonstram versatilidade em múltiplas áreas da indústria recebem a denominação de all-rounders, como é o caso de G-Dragon.

A vivência dos shows e a interação com os fãs envolvem elementos específicos, como os fanchants, sequências de frases ou nomes cantadas pela plateia em momentos determinados da música, e os lightsticks, bastões iluminados e personalizados, a exemplo da Armybomb usada pelo público do BTS. Entre os comportamentos promovidos pelos idols está o aegyo, que consiste em demonstrações intencionais de fofura. No campo das métricas das paradas musicais sul-coreanas, o alcance máximo é o Perfect All-Kill (PAK), concedido a faixas que atingem simultaneamente o primeiro lugar nas paradas diárias e em tempo real, feito no qual a solista IU se destaca como a maior recordista da indústria, somando 22 canções com o título.

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