Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, indicam que ele e o sócio Flávio Carneiro negociaram a compra do Correio Braziliense com o objetivo de usar o veículo para divulgar interesses próprios. Em troca, o plano previa a utilização de precatórios federais para amortizar débitos inscritos na dívida ativa da União, que totalizavam R$ 589,4 milhões para o jornal, enquanto o passivo dos Diários Associados, grupo controlador, alcançava R$ 1,4 bilhão.
Em conversa datada de 10 de abril de 2025, Carneiro escreveu a Vorcaro que o grupo havia “assumido o editorial do Correio” a partir de 1º do mesmo mês. Na mesma mensagem, enviou um modelo de negócio elaborado com Leo Palhares para os Diários Associados, detalhando a estratégia de uso dos precatórios.
As trocas de mensagens também registram discussões sobre a utilização do jornal para promover a agenda de Vorcaro. No dia 26 de abril de 2025, enquanto o banqueiro participava do I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, em Londres, Carneiro sugeriu: “Se quiser, eu planto uma nota no Correio Braziliense amanhã cedo”.
Em 12 de agosto de 2025, o sócio informou que o acordo estava concluído, afirmando: “Correio assinado. Agora depende só de nós”. Quando Vorcaro indagou a quem a aquisição seria destinada, recebeu a resposta de que seria “pro veículo que estamos montando”, com a minuta aprovada sem alterações.
A primeira referência ao projeto apareceu em janeiro de 2024, quando Carneiro mencionou um acerto com uma jornalista para assumir uma coluna e gerar audiência caso a compra avançasse. Ao ser questionado sobre a existência de um acordo fechado, Vorcaro recebeu a informação de que a contratação estava apenas apalavrada.
Dois dias após o anúncio de que o BRB compraria o Banco Master, em 30 de março de 2025, Vorcaro cobrou textos favoráveis à operação, reclamando que “nenhum veículo nosso fez uma matéria de análise positiva”. Determinou, então, que o Platô e o Correio Braziliense publicassem análises contendo os argumentos apresentados pelo banco.
Seis meses depois, o Banco Central rejeitou a operação; em novembro de 2025, Vorcaro foi preso e o Banco Master entrou em liquidação.
Em agosto de 2025, Carneiro avisou que viajaria a Brasília para alinhar com Platô e Correio Braziliense uma ofensiva contra Ricardo Cappelli (PSB), ex‑candidato ao governo do Distrito Federal que publicava críticas ao Master e ao BRB. Vorcaro ordenou “moer” Cappelli, ao que o sócio respondeu: “Vamos desancar esse desgraçado”.
No mês seguinte, Carneiro afirmou que mantinha “na unha o tema do Correio e dos Diários” e que o documento aguardava apenas a decisão de Vorcaro para assinatura.

