A ex‑deputada federal Joice Hasselmann comunicou que votará em Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial, previsto para domingo, 25 de outubro, e vinculou a escolha à defesa da democracia. Em vídeo divulgado no Instagram, a parlamentar afirmou: “Afinal, perder uma eleição, tudo bem. Perder a democracia, jamais”.
A decisão foi acompanhada da divulgação de entrevista exclusiva ao jornalista Leonardo Attuch, agendada para quinta‑feira, 22 de outubro, às 20h, na TV 247, sob o título “Bolsonaro tentou me matar”. Na ocasião, Hasselmann deve relatar as agressões que alega ter sofrido em 2021 e explicar o rompimento com o bolsonarismo.
Ao anunciar o voto, a ex‑líder do governo no Congresso deixou claro que não aderiu ao programa do PT nem abandonou suas divergências com a esquerda. “Voto em Lula, sem meias palavras, sem hipocrisia”, declarou, ao defender a preservação das instituições e a possibilidade de oposição política dentro do marco constitucional.
Hasselmann recordou que participou da campanha de Jair Bolsonaro em 2018 e ocupou a liderança do governo no Congresso. “Em 2018, acreditei em Bolsonaro, sim”, disse, acrescentando que a decepção começou ainda no primeiro ano da gestão. O relato ganhou destaque nas redes quando o próprio Leonardo Attuch retweetou a frase: “A ex‑deputada Joice Hasselmann, que foi a principal voz do antipetismo, declara voto no presidente Lula e explica o motivo: “Bolsonaro tentou me matar””.
A parlamentar atribui a mudança de postura ao convívio com familiares e aliados de Bolsonaro, afirmando: “Eu vi o clã por dentro”. Ela reconheceu ainda responsabilidade por ter contribuído para a ascensão do ex‑presidente: “Eu errei em ajudar, mas não poderia ficar de braços cruzados”.
Segundo Hasselmann, o rompimento com o bolsonarismo desencadeou perseguições, ataques à sua reputação e perda de aliados e de base política. Ela relatou ter sido grampeada e espancada após a invasão de seu apartamento em 2021. Também afirmou ter tomado conhecimento, em 2019, de uma minuta de golpe e levado a informação ao então presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli: “Esta minuta já existia no primeiro ano de governo”.
Ao justificar a escolha eleitoral, a ex‑deputada enfatizou que pretende retornar à oposição após a eleição, porém dentro das regras democráticas. “Sim, volto à oposição, mas dentro do processo democrático, onde é possível fazer oposição”, declarou, reforçando seu compromisso com o Estado de Direito.


