O governo dos Estados Unidos, sob a administração do presidente Donald Trump, encerrou formalmente as negociações comerciais com o Brasil e confirmou a recomendação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma vasta gama de produtos brasileiros. A decisão, que ainda aguarda a manifestação final de Trump e a publicação do ato que estabelecerá sua data de vigência e os itens específicos atingidos, representa um endurecimento nas relações comerciais entre os dois países. O chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, já informou a interlocutores do governo Lula sobre a proposta final, que inclui uma lista ampliada de mercadorias isentas.
Apesar de a documentação pública ainda classificar a cobrança como uma ação proposta, a investigação que fundamenta a medida acusa o Brasil de adotar práticas “irrazoáveis ou discriminatórias” em diversas áreas. Entre as principais preocupações citadas pelo USTR estão o comércio digital, serviços de pagamentos eletrônicos, propriedade intelectual, tarifas preferenciais, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. O órgão estadunidense também sustenta que políticas brasileiras favorecem o Pix em prejuízo de empresas norte-americanas de pagamentos. Na reunião mais recente, realizada na terça-feira (14), Jamieson Greer afirmou que o Brasil não teria demonstrado empenho suficiente para resolver as divergências.
Representantes brasileiros, por sua vez, contestaram veementemente as acusações, argumentando que Washington apresentou exigências que carecem de base técnica ou que são incompatíveis com a legislação nacional. Entre os pontos de discórdia, mencionaram-se pedidos como a concessão de benefícios tarifários exclusivos para produtos originários dos Estados Estados Unidos. Embora a ofensiva atual seja formalmente baseada em argumentos comerciais, o presidente Donald Trump já havia explicitamente vinculado a imposição de tarifas contra o Brasil à defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro em ocasiões anteriores.
Em uma ordem assinada em julho de 2025, Trump classificou os processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro como uma “perseguição política”, afirmando que a atuação das autoridades brasileiras representava uma ameaça à política externa e à economia dos Estados Unidos. O mesmo documento continha uma ameaça clara de elevar ainda mais as tarifas caso o governo brasileiro adotasse medidas de reciprocidade, advertindo que qualquer aumento de impostos sobre produtos estadunidenses poderia ser respondido com uma elevação equivalente da cobrança imposta ao Brasil. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a nova tarifa possa impactar 4.187 produtos, totalizando aproximadamente US$ 14,9 bilhões em exportações anuais. Setores como ferro-gusa, etanol, açúcar, tabaco, máquinas e derivados de madeira estão entre os mais expostos, enquanto café, carne bovina, petróleo, terras raras e componentes de aeronaves aparecem entre os produtos que podem permanecer isentos.
O próximo passo no desenvolvimento dessa questão comercial será a manifestação formal do presidente Donald Trump e a consequente divulgação da lista definitiva de exceções. O governo Lula, por sua vez, está avaliando eventuais medidas de reciprocidade. Contudo, a estratégia brasileira é aguardar a publicação oficial do ato por parte dos Estados Unidos para poder calcular o impacto preciso das tarifas e, assim, definir sua resposta de maneira fundamentada e estratégica.



