Extrema-direita avança em eleições municipais no Reino Unido

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Créditos: Imagem/Divulgação

O cenário político do Reino Unido registrou uma mudança significativa com o avanço da extrema-direita nas eleições municipais realizadas na última quinta-feira (7). Em um momento considerado inédito na história do país, os tradicionais Partidos Conservador e Trabalhista enfrentam uma crise simultânea, o que abriu caminho para o crescimento de uma terceira força política. As disputas incluíram pleitos municipais na Inglaterra e eleições parlamentares na Escócia e no País de Gales.

A crise enfrentada pelos dois partidos que historicamente dominaram a política britânica colocou em xeque o clássico sistema bipartidário do Reino Unido. Enquanto os trabalhistas e conservadores perdiam terreno, a extrema-direita se consolidava como uma alternativa, atraindo eleitores de diversas regiões. Este panorama sinaliza uma possível fragmentação do cenário político de uma das democracias mais antigas do mundo, indicando o início de uma nova era para o país.

O Partido Trabalhista, principal força da esquerda britânica, sofreu uma derrota considerada dolorosa, com perdas significativas nas eleições municipais na Inglaterra e nas parlamentares na Escócia e no País de Gales. No País de Gales, os trabalhistas perderam o poder após 27 anos de domínio. Paralelamente, o Partido Conservador também registrou um recuo em sua base de apoio. O principal beneficiário desse cenário foi o Reform UK, liderado por Nigel Farage, que emergiu como a figura central da extrema-direita britânica. O partido, que nasceu na esteira do conturbado divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia, conhecido como Brexit, vem ganhando espaço progressivamente.

O avanço do Reform UK foi notável, conquistando até mesmo áreas da classe trabalhadora no norte da Inglaterra, regiões que por muito tempo foram redutos sólidos dos trabalhistas. Em algumas dessas localidades, a esquerda foi derrotada após mais de um século de hegemonia. Nigel Farage descreveu o resultado como histórico, enquanto o primeiro-ministro trabalhista Keir Starmer considerou-o doloroso. Starmer, que havia chegado ao poder há menos de dois anos com uma vitória esmagadora e a promessa de crescimento econômico, não conseguiu concretizar suas metas, com a guerra no Oriente Médio dificultando ainda mais a tarefa. Além disso, a nomeação de Peter Mandelson, amigo do criminoso sexual Jeffrey Epstein, como embaixador britânico nos Estados Unidos, gerou uma polêmica desastrosa que prejudicou a imagem do primeiro-ministro.

Apesar da intensa pressão por resultados, Keir Starmer afirmou categoricamente que não vai renunciar ao cargo. Um deputado trabalhista, comentando a situação, indicou que os eleitores não passaram a odiar o partido, mas demonstraram cansaço em relação à liderança do primeiro-ministro. Com o domínio histórico de trabalhistas e conservadores agora em xeque e um cenário político mais fragmentado, o Reino Unido pode estar verdadeiramente entrando em uma fase de profundas transformações e uma nova dinâmica de forças políticas.

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