Governo Milei classifica como irrelevante eventual ajuda na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil

4 min de leitura
Créditos/Reprodução Internet

O governo do presidente argentino Javier Milei classificou como “irrelevante” esclarecer se prestou auxílio na rota de viagem do candidato derrotado na eleição presidencial brasileira, Flávio Bolsonaro (PL), que passou pela Argentina antes de desembarcar nos Estados Unidos. A declaração foi proferida pelo porta-voz da Casa Rosada, Adrián Ravier, em entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (03). Ao ser questionado sobre um possível envolvimento do mandatário, de autoridades locais ou do serviço de inteligência na travessia, Ravier argumentou que a responsabilidade por avaliar a autorização para a saída do político cabe exclusivamente aos órgãos do Brasil.

- Publicidade -

“Nós não temos muito mais para dizer a respeito do tema. O tema para nós está finalizado”, sentenciou o porta-voz durante o encontro com a imprensa. Ravier informou que o ex-candidato ingressou em território argentino portando documentação válida, ocasião em que a Direção Nacional de Migrações adotou os ritos normais conferidos a qualquer passageiro. O representante do Executivo ressaltou que não pesava contra o brasileiro qualquer pedido de captura internacional nem irregularidades administrativas no momento da fiscalização alfandegária.

Indagado reiteradamente por jornalistas sobre se Milei possuía conhecimento prévio do plano de deslocamento, o porta-voz ponderou que não dispunha dessa informação. Ravier reiterou a postura do governo ao assinalar que “nos parece irrelevante o fato de Bolsonaro sair do Brasil e entrar na Argentina”, uma vez que o trânsito transfronteiriço ocorreu com a apresentação dos documentos exigidos por lei.

- Publicidade -

A chegada de Flávio Bolsonaro e de sua família aos Estados Unidos ocorreu na quarta-feira (28), após a comitiva percorrer um trajeto aéreo com paradas na Argentina e no Equador. O deslocamento foi efetuado a despeito de a Justiça ter determinado a entrega de seus passaportes no âmbito de diversas apurações em andamento. Em meio à repercussão, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, asseverou no sábado (31) que Washington não participou diretamente das articulações para a jornada do brasileiro, enquanto o presidente Donald Trump manifestou que Bolsonaro teria permissão para permanecer no país “por tanto tempo quanto quisesse”.

- Publicidade -

Reportagens publicadas pelos jornais “The New York Times” e “The Wall Street Journal” revelaram que Jason Miller, assessor de Trump, foi o responsável pelo fretamento da aeronave utilizada no voo. Em entrevista concedida à agência AFP, o diretor da empresa aérea contratada confirmou que um intermediário efetuou o pagamento do serviço por meio de uma conta bancária mantida nos Estados Unidos.

Paralelamente às explicações sobre o caso, Ravier sublinhou que Buenos Aires busca preservar o relacionamento comercial com o Brasil, a despeito das divergências ideológicas observadas entre Milei e o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O porta-voz acrescentou que o governo argentino ainda não recebeu o convite formal para participar da Cúpula do Mercosul, evento agendado para ser realizado entre os dias 4 e 5 de dezembro, em Montevidéu.

Compartilhar este artigo