O governo do presidente argentino Javier Milei descartou a possibilidade de apresentar um pedido formal de desculpas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo após a reação do governo brasileiro de convocar seu embaixador em Buenos Aires para consultas. A postura da Casa Rosada foi confirmada por fontes do governo argentino ao jornal La Nación.
De acordo com um alto integrante da administração argentina, não há intenção de retratação por parte de Milei, que reafirma sua proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro. Apesar de reconhecerem que o momento exige diálogo, integrantes do governo argentino avaliam que o desgaste não resultará em uma ruptura duradoura entre as nações do Mercosul.
A crise diplomática se intensificou após discursos de Milei durante um evento do Partido Liberal (PL) em São Paulo, no qual proferiu ofensas contra Lula e criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes. Na ocasião, o líder argentino esteve acompanhado da secretária-geral da Presidência, Karina Milei, e do chanceler Pablo Quirno.
Posteriormente, em entrevista à rádio Mitre, Milei fez novas acusações contra o governo brasileiro, afirmando, sem apresentar evidências, que o Brasil teria financiado uma campanha de difamação contra a Argentina. Ele também reiterou alegações sobre a participação de assessores brasileiros na campanha presidencial de Sergio Massa em 2023.
Como medida diplomática, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil chamou o embaixador Julio Bitelli a Brasília para consultas. Além disso, o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, foi convocado ao Itamaraty para prestar esclarecimentos. Apesar de diplomatas classificarem o episódio como uma das maiores crises bilaterais em décadas, ambos os países descartam medidas drásticas como a expulsão de representantes ou o rompimento definitivo de relações.



