O governo dos Estados Unidos decidiu aplicar uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de falhas no combate ao trabalho forçado em setores produtivos. Segundo o governo americano, a medida faz parte de uma ação que atingiu 60 economias e busca combater a concorrência desleal com o mercado interno do país.
A nova tarifa recai sobre cinco produtos específicos exportados pelo Brasil: alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco. De acordo com o Escritório do Representante Especial de Comércio dos EUA (USTR), o foco está em importações realizadas entre 2021 e 2025 de nações com práticas trabalhistas questionáveis.
A alíquota de 12,5% junta-se aos 25% já em vigor desde o último dia 22, decorrentes de outra investigação do USTR iniciada em julho de 2025 para apurar supostas práticas comerciais desleais. Apesar das barreiras, uma lista com mais de 2.100 itens brasileiros permanece isenta da taxa de 25%, incluindo carne bovina, suco de laranja, componentes aeronáuticos, açaí e água de coco.
A movimentação comercial reflete a política da gestão de Donald Trump para reaver déficits e reindustrializar os Estados Unidos. A medida ocorre após a Suprema Corte americana ter derrubado uma tarifa global de 10% aplicada anteriormente. Para substituir instrumentos provisórios que expiram nesta semana, o governo abriu novas apurações com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O processo também é marcado por tensionamento político. Em julho do ano passado, Trump criticou o fato de o ex-presidente Jair Bolsonaro ter se tornado réu por tentativa de golpe de Estado. Recentemente, o senador Flávio Bolsonaro participou de audiência do USTR e enviou documento solicitando o adiamento das tarifas para depois das eleições brasileiras de outubro.



