O israelense Menachem Booky Halevy, apontado como ex-integrante da Mossad, o serviço secreto de Israel, foi citado como um dos facilitadores da fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos. O deslocamento ocorreu por meio da fronteira com a Argentina após a derrota do parlamentar nas eleições presidenciais. A manobra para retirar o político do país ocorreu a despeito da proibição imposta por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo informações de relatórios migratórios da fronteira argentina apurados pelo Fantástico, Halevy realizou a travessia entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e a cidade de Puerto Iguazú. O ex-agente viajava em uma van ao lado de Roberto Jorge Alexandre, advogado que atuou na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe. O veículo em que a dupla estava cruzou a divisa exatamente sete minutos antes do automóvel responsável por transportar o senador até o aeroporto em solo argentino.
A presença do ex-espião da inteligência israelense amplia as suspeitas sobre a existência de uma estrutura prévia montada para garantir a evasão do parlamentar. Halevy, que também possui cidadania estadunidense, conta com um histórico profissional pouco esclarecido publicamente. Não há detalhes oficiais sobre o período em que atuou na Mossad, cargos ocupados ou operações sob sua responsabilidade, embora existam indícios de que ele teria executado atividades de espionagem e coleta de informações de forma independente no Brasil em ocasiões anteriores.
Registros de entrada revelam que o ex-agente esteve no Brasil em outras três oportunidades ao longo do ano: em São Paulo, nos dias 16 de fevereiro e 16 de abril, e em Brasília, no dia 23 de fevereiro. O desembarque mais recente ocorreu em 19 de outubro, durante a semana final do segundo turno das eleições. Os motivos de todas essas viagens anteriores continuam sem esclarecimento oficial.
As apurações buscam determinar quem acionou o ex-espião, qual a relação mantida com Flávio Bolsonaro ou com os organizadores da fuga, além de verificar se houve financiamento privado ou participação dos governos de Israel e dos Estados Unidos. Um dia após o resultado das urnas, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou ao Canal 14 de Israel que diversos países da América do Sul passaram a apoiar Tel Aviv recentemente, avaliando que o Brasil ainda não havia concluído esse processo de transição.
A rota utilizada no plano de fuga envolveu múltiplos deslocamentos internacionais a partir do território brasileiro. Após ingressar na Argentina de van, o senador embarcou em um avião Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela empresa Baires Fly. A aeronave possui ligações com o braço-direito do presidente argentino Javier Milei, aliado político mais próximo de Jair Bolsonaro do que do atual mandatário brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.
O voo realizou uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para o destino final em Miami, nos Estados Unidos. Em declaração sobre o episódio, o Secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio, afirmou que o governo de Donald Trump não teve relação direta com a fuga do senador. Contudo, Rubio ponderou que Trump já havia tomado a decisão prévia de autorizar o ingresso de Flávio Bolsonaro no país caso a entrada fosse formalmente requisitada.

