Eduardo Bolsonaro, ex‑deputado federal, manifestou forte repúdio à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que ampliou o horário de votação até as 19h (horário de Brasília) em todas as seções eleitorais do país. A crítica ocorreu durante transmissão ao vivo no YouTube, realizada em Miami, onde o parlamentar acompanhou a apuração ao lado do comentarista político Paulo Figueiredo e do ex‑diretor da Agência Brasileira de Inteligência, Alexandre Ramagem.
Ao analisar a medida, Bolsonaro afirmou que o episódio confirma um alerta prévio de que seria usado o STF como instrumento contra o Tribunal Superior Eleitoral. Ele atribuiu a ideia ao ministro Gilmar Mendes, dizendo: “Estranho, né? E eles já tinham avisado que, se fosse necessário, fariam de tudo. Palavra do Gilmar Mendes para usar o STF para atravessar o TSE é aquele negócio difícil, você vender como ordenamento jurídico, como império das leis, ainda mais quando você compara com a eleição de 2022. Tenho certeza que uma decisão vinda do Zanin a essa altura do campeonato”.
O deputado também sustentou que a prorrogação teria sido solicitada pelo presidente Lula por intermédio de seu advogado, acrescentando que Zanin não integra a Corte Eleitoral e que não há fundamento constitucional para a extensão. “O Lula pediu para o advogado dele, o advogado dele deu uma decisão, ele não está na corte eleitoral, mas que se dane, e não tem conexão nenhuma com a Constituição. É difícil você imaginar qual o fundamento jurídico para isso daí, então, de fato, não traz credibilidade”, declarou.
Em tom ainda mais incisivo, Bolsonaro alertou que a medida representa um ataque à democracia, pois “só existe uma maneira da democracia ser aperfeiçoada através do livre debate. Onde você não tem livre debate, não há aperfeiçoamento do sistema”.
Paulo Figueiredo, presente na transmissão, classificou a decisão como “cheiro de golpe” e argumentou que, quando todos os institutos de pesquisa apontam a vitória de um dos lados, uma decisão monocrática de um ministro do STF alinhado a Lula, tomada no meio do processo eleitoral, “é muito ruim para a democracia e para o nosso sistema eleitoral”.
O ex‑diretor da ABIN, Alexandre Ramagem, aproveitou a oportunidade para declarar que pretende retornar ao Brasil caso Flávio Bolsonaro vença as eleições, mas que precisaria de “uma anistia ou uma ação revisional no STF. Então tem vários caminhos”.
O Tribunal Superior Eleitoral, por sua vez, esclareceu que a prorrogação do horário vale apenas para localidades onde as urnas ainda não foram fechadas, conforme decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. Já o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal informou que não haverá extensão até as 19h, justificando a impossibilidade de tempo hábil.
Vale lembrar que Alexandre Ramagem está foragido dos Estados Unidos desde setembro de 2025, após ser condenado pelo STF a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por participação em trama golpista. Eduardo Bolsonaro também se encontra foragido desde 2025, cumprindo pena de 27 anos por envolvimento na mesma trama.

