Claudia Raia revela ter sido detida e fichada na Argentina aos 15 anos durante a ditadura militar

3 min de leitura
Créditos/Reprodução Internet

A atriz Claudia Raia revelou ter sido presa e fichada pelas autoridades da Argentina na década de 1980, quando tinha apenas 15 anos de idade, durante um período de intensa repressão movido pelo regime militar daquele país. O episódio ocorreu no momento em que a artista integrava o elenco do espetáculo de teatro de revista Sexcitante, encenado ao lado de Susana Giménez. Os detalhes completos do relato vão ao ar nesta quinta-feira, dia 15, às 19h, durante entrevista concedida ao talk show Ambulatório da M.O.D.A., comandado por Gabb, que teve um trecho antecipado em plataformas digitais.

- Publicidade -

O fato transcorreu em meio ao contexto histórico marcado pela ditadura militar argentina e pelo conflito da Guerra das Malvinas, travado contra o Reino Unido no ano de 1982. Naquela época, a repressão local ostentava forte perseguição contra pessoas homossexuais, com agentes circulando em veículos pretos para abordar e agredir suspeitos. “Os gays eram proibidos de existir”, declarou a atriz ao comentar o cenário hostil da época. “Como você julga uma pessoa andando na rua?”, questionou Claudia ao relembrar as abordagens violentas.

A ação militar contra a artista aconteceu enquanto ela jantava em um restaurante acompanhada por um grupo de 19 homens homossexuais. “Eu estava sentada com 19 gays em volta de mim. Só eu de mulher, com uma maquiagem inaceitável. Perguntaram para mim e meu amigo me falou: ‘Não fala em espanhol. Fala em português e que é brasileira’. Eu disse que era brasileira e estava lá passeando”, descreveu a atriz sobre o momento em que policiais entraram no estabelecimento.

Na ocasião, a estética de Claudia chamava a atenção do público, visto que havia inclusive uma fotografia sua de biquíni exposta na entrada do teatro em que se apresentava. “Imagina, eu estava com cílios deste tamanho, toda purpurinada”, recordou. Mesmo sendo mulher, brasileira e menor de idade, ela acabou conduzida pelos agentes ao lado dos demais integrantes do grupo. “Me levaram e foi uma loucura. Eu e 19 gays. Estava preocupadíssima com meus amiguinhos gays”, relatou.

Apesar de ter sido liberada no mesmo dia em que ocorreu a detenção, os amigos que a acompanhavam permaneceram detidos. As consequências do registro policial persistem até os dias atuais, de modo que Claudia afirma continuar sendo identificada pelas autoridades argentinas sempre que visita o país vizinho. “Sou fichadíssima”, concluiu a artista.

Compartilhar este artigo