David Sabatini, pesquisador biomédico de renome, obteve o direito de receber US$ 6 milhões – aproximadamente R$ 30 milhões – após um júri dos Estados Unidos decidir que a ex‑colega Kristin Knouse o difamou ao acusá‑lo de assédio sexual. O veredicto foi proferido na última sexta‑feira, 16 de abril, e também reconheceu que não houve crime sexual na relação entre os dois.
Sabatini perdeu o cargo que ocupava no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) depois que Knouse, com quem trabalhou no Whitehead Institute for Biomedical Research, em Cambridge, apresentou as acusações. O casal se conheceu em 2012, iniciou um relacionamento sexual em 2018 e o encerrou no ano seguinte. Posteriormente, Knouse alegou que a relação havia sido forçada, enquanto Sabatini sustentou que foi consensual.
Em 2021, as denúncias levaram Sabatini a deixar o Whitehead, onde dirigia há cerca de 24 anos um laboratório dedicado à biologia celular. O instituto, por sua vez, apontou a existência de um ambiente sexualizado no laboratório, apontamento que o cientista contestou.
Durante a ação por difamação, a advogada de Sabatini, Lisa Arrowood, apresentou mensagens trocadas entre os dois para demonstrar que Knouse participou do relacionamento por vontade própria. Em uma conversa de 2020 exibida no julgamento, Knouse escreveu que estava “dedicando muita energia e emoção a um jogo que estou fadada a perder” e questionou se não seria melhor cortar os laços, mantendo apenas a relação profissional. Ela acrescentou: “Mas, na maior parte do tempo, sinto‑me em paz e quero fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ajudá‑lo”.
A defesa de Sabatini também alegou que Knouse sentiu ciúmes de outra mulher e tentou provocar sua demissão. Após a decisão, o cientista declarou à Fox News Digital: “Tudo terminou. Ganhamos tudo, não perdemos nada. Foi uma vitória completa”.
Ellen Zuker, advogada de Knouse, anunciou recurso contra o veredicto, afirmando que “a triste realidade do nosso tempo é que a sociedade ainda tem dificuldade em acreditar nas mulheres e em reconhecer os desafios que elas enfrentam com homens que, com frequência excessiva, controlam os seus destinos”.
Com o trânsito em julgado, Sabatini poderá cobrar integralmente a indenização. Na ausência de acordo ou pagamento voluntário, sua defesa poderá solicitar medidas como retenção de salários, congelamento de contas bancárias ou penhora de bens.
Atualmente, David Sabatini mantém o David Sabatini Lab, com atividades em Praga, na República Tcheca, e em Boston. Ele colabora com o Instituto de Química Orgânica e Bioquímica de Praga e é casado com a pesquisadora Lena Pernas.



