Um cliente encontrou um rato dentro de um bolo adquirido na Casa de Bolos, unidade Cavalhada, na zona sul de Porto Alegre, e a delegada Milena Cimiolli, da Delegacia do Consumidor, afirmou que o roedor foi “assado junto com o alimento”. O incidente, que chegou à polícia três dias depois da ingestão, resultou na prisão em flagrante da proprietária Amanda Borges Lopes Schenk, de 41 anos, na quarta‑feira (14), e sua liberação após audiência de custódia na quinta‑feira (15).
Segundo a delegada, a Polícia Civil descartou a hipótese de ação deliberada, explicando que o rato já estava no forno e caiu na massa ao tentar sair, sendo assado simultaneamente ao bolo. “Todo o corpo do roedor está com pedaços do bolo grudados e não é nem possível ver a parte interna dele mesmo”, detalhou Cimiolli, acrescentando que seria “quase impossível” o roedor ter entrado no produto após sua saída do estabelecimento.
A investigação levou a Delegacia do Consumidor a acionar a Vigilância Sanitária, que realizou inspeção nas dependências da Casa de Bolos. Os fiscais constataram condições de higiene extremamente precárias, incluindo fezes de roedores sobre potes de alimentos, urina de rato, produtos com validade expirada, grades enferrujadas e alimentos com fungos. “Também verificamos urina de rato, produtos com data de validade expirada e também as condições do lugar em si, as grades todas enferrujadas, produtos com fungos, então foi bem chocante”, relatou a delegada.
A mesma equipe sanitária estendeu a fiscalização a outra unidade da rede, localizada no Centro, onde foram encontradas situações semelhantes, reforçando a gravidade das irregularidades. Por violar as normas de consumo, a proprietária foi acusada de crime contra as relações de consumo, sendo a adequação às exigências sanitárias uma das condições impostas pelo Judiciário para a concessão da liberdade provisória.
Em nota, a defesa da empresária enfatizou que “os fatos relacionados à ocorrência estão sendo tratados com a máxima seriedade” e que a loja mantém, há mais de 11 anos, serviços de dedetização e controle de pragas sem intercorrências anteriores. Os advogados Hoiama Homem Pareta (OAB/RS 81.081) e Ivan Pareta Júnior (OAB/RS 93.974) ressaltaram a existência de responsáveis pela gestão operacional, limpeza e manutenção, bem como a realização de auditoria interna para investigar, inclusive, a possibilidade de sabotagem por parte de algum funcionário.
A Vigilância Sanitária deverá efetuar nova vistoria antes de autorizar o retorno das atividades da Casa de Bolos, a fim de garantir que as condições de higiene estejam em conformidade com a legislação vigente.



