Fábio Carvalho, proprietário da revista Veja, divulgou acusações contra o presidente Luiz Inácio Lula fundamentadas em uma delação de Daniel Vorcaro. A reportagem indica que a narrativa de Vorcaro – que teria liberado recursos para um filme sobre Lula na esperança de obter vantagens em negócios com o governo federal – não possui comprovação documental. O suposto anexo enviado à Procuradoria‑Geral da República (PGR) não foi encaminhado para investigação por falta de provas, inclusive porque os pagamentos alegados teriam sido realizados em dinheiro vivo.
A própria matéria reconhece que “não há qualquer prova de que Lula teve realmente esse encontro com Vorcaro”. Ainda, a publicação afirma que, apesar dos contatos e do dinheiro que Vorcaro alegava ter sido exigido por João Vaccari Neto, o banqueiro não conseguiu captar recursos nos fundos federais.
Em artigo publicado na Piauí, o empresário João Moreira Salles destacou encontros e jantares entre empresários e dirigentes do mundo corporativo e financeiro com Flávio Bolsonaro, citando Fábio Carvalho – dono da Veja desde 2018, quando adquiriu a massa falida da Editora Abril. Segundo Salles, Carvalho teria deixado o que descreveu como “maquinário intelectual” para produzir o que qualificou como “jornalismo porco”.
Os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, integrantes do grupo Prerrogativas, protocolaram na Polícia Federal uma notícia de fato solicitando investigação urgente sobre uma suposta articulação entre Daniel Vorcaro, ex‑dono do Banco Master, e pessoas ligadas à campanha de Flávio Bolsonaro. A suspeita é de que a iniciativa vise interferir no segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, prejudicar o presidente Lula e desviar a atenção das investigações sobre o escândalo financeiro do banco.
O documento, datado de quinta‑feira (8), relata que um HD contendo um depoimento atribuído a Vorcaro teria sido entregue a terceiros. O material supostamente traz acusações contra adversários políticos de Flávio Bolsonaro, integrantes do governo Lula e ministros de Estado. Os advogados temem que o conteúdo seja usado para atacar o presidente nas vésperas da votação, sem tempo hábil para verificação ou resposta dos citados.
A representação sustenta que as acusações carecem de respaldo probatório e poderiam integrar estratégia para desviar o foco das investigações sobre o Banco Master. Os advogados esclarecem que não tiveram acesso à gravação e pedem à Polícia Federal que confirme a existência do material, investigue sua origem e examine seu conteúdo. Um áudio com teor semelhante foi publicado pela Veja.
A suspeita ganhou força após notícias de que Vorcaro, preso preventivamente desde março, negociaria entrevista exclusiva com as emissoras Globo e Record, preferindo a que oferecesse maior tempo de exibição. Uma eventual gravação dentro da unidade prisional dependeria de autorização judicial.
Em declaração à Folha, Marco Aurélio de Carvalho – coordenador do Prerrogativas e integrante da coordenação da campanha de Lula – afirmou ter recebido informações de que Vorcaro teria sido estimulado a prestar depoimento sobre o financiamento de um documentário sobre o presidente, dirigido por Oliver Stone. Segundo os advogados, o banqueiro receberia promessa de prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica após as eleições, enquanto seu pai, Henrique Vorcaro, seria liberado imediatamente.
A notícia de fato requer que a Polícia Federal apure se houve articulação para produzir ou divulgar acusações com finalidade eleitoral.



