A Bolsotini Chocolates e Café LTDA, empresa na qual o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) e Alexandre Santini figuravam como sócios, celebrou um acordo de R$ 30 mil com uma ex‑balconista que ajuizou ação na Justiça do Trabalho.
A trabalhadora, que teve a identidade preservada, alegou que foi demitida quando estava com nove semanas de gestação, após ter comunicado a gravidez a um superior poucos dias antes da dispensa. No processo, afirmou que nunca teve a carteira de trabalho assinada, não recebeu depósitos de FGTS e saiu da empresa sem aviso prévio.
A ex‑funcionária recebia R$ 1,1 mil mensais e cumpria jornada das 9h30 às 17h30, de segunda a domingo, com uma folga semanal. A loja encerrou suas atividades em março de 2021.
O acordo foi firmado quase um ano após a demissão e envolveu Flávio Bolsonaro e o ex‑sócio Alexandre Santini. A assessoria de Bolsonaro foi contatada para comentar o caso, mas não respondeu até a publicação da reportagem.
O episódio ganha destaque porque a empresa fazia parte de um negócio que o senador mantinha antes de defender, em sua campanha presidencial, a possibilidade de negociação direta entre trabalhadores e empregadores. O plano de governo de Flávio Bolsonaro propõe que “o negociado sobre o legislado” permita que as partes ajustem condições de trabalho dentro da lei, ao invés de seguir regras únicas.
A legislação trabalhista já admite acordos individuais em situações específicas, como banco de horas, compensação de jornada e trabalho remoto, desde que respeitadas as garantias legais. No caso em questão, a reclamação apontou a ausência de formalização do vínculo empregatício, culminando no pagamento de R$ 30 mil entre as partes.



